AP Photo/Charlie Riedel
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Prejuízos com Harvey podem chegar a US$ 42 bilhões

Trump visita região do Texas atingida pela tempestade que causou alagamento inédito em Houston; há 30 mortes ligadas a inundações

O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2017 | 18h05

WASHINGTON - O Estado americano do Texas sofria nesta terça-feira as consequências da tempestade Harvey, que já deixou pelo menos 30 mortos, sob temores de a tragédia se tornar ainda maior à medida que a tormenta seguia para a vizinha Louisiana. Em meio às inundações de proporções inéditas em Houston, os esforços de autoridades e voluntários se concentraram em resgatar cidadãos ilhados. Os prejuízos podem chegar a US$ 42 bilhões, segundo estimativas, e os desabrigados a 30 mil. 

No Condado de Harris, onde fica Houston, os reservatórios construídos para o escoamento de água estavam começando a transbordar ontem – 30% do território ficou submerso. O governo pediu aos moradores que se retirassem, já que as comportas de duas represas seriam abertas para aliviar a pressão da água e evitar a ruptura. A medida intensificará a inundação ao longo do curso de água do Rio Buffalo Bayou, que atravessa a área. 

 

O Condado de Brazoria, ao sul de Houston, também orientou a retirada imediata dos moradores nos arredores de um dique rompido pelas enchentes provocadas pela tempestade tropical, a mais forte a atingir o Texas em mais de 50 anos. 

A tormenta quebrou o recorde de chuva do Texas em um ponto de medição ao sul de Houston, que registrou 1,25 metro de precipitação desde a chegada do Harvey. As chuvas atuais são mais do que a região recebe normalmente em um ano e ultrapassaram o volume de 1,22 metro registrado em 1978. 

O Harvey abalou os mercados de energia e causou estragos estimados em bilhões de dólares. O furacão afetou a produção e o refino de petróleo em uma região fundamental para a indústria petrolífera dos EUA, o que já está levando ao aumento do preço da gasolina no país. A reconstrução da região deve se estender além do mandato de quatro anos de Donald Trump na presidência.

 

O presidente, acompanhado da mulher Melania, desembarcou nesta terça-feira no Texas, enquanto carregadas nuvens de tempestade continuavam a ameaçar a região. A visita de Trump, seguida por sua promessa de ação rápida pelo governo federal para proporcionar alívio aos Estados afetados pelo Harvey, ocorreu no 12.º aniversário do dia em que o furacão Katrina tocou o solo em Louisiana. O Harvey deveria chegar ao Estado entre a noite desta terça-feira e a madrugada de quarta. 

A tempestade Harvey despertou comparações com o furacão Katrina, que devastou New Orleans há 12 anos, matando 1,8 mil pessoas. O ex-presidente George W. Bush foi amplamente criticado pela resposta de seu governo ao desastre, perdendo apoio. Trump claramente pretende evitar reação similar.

Trump, falando na cidade de Corpus Christi, perto de onde Harvey tocou terra na sexta-feira, disse querer que o esforço de socorro seja exemplar. “Queremos fazê-lo melhor do que nunca”, disse ele. “Isso foi de uma proporção épica.” 

Os danos causados pelo furacão Harvey podem colocá-lo entre as cinco tempestades “mais caras” do EUA, com barragens e diques destruídos que antecipam mais prejuízos, segundo dados publicados nesta terça-feira.

Uma estimativa dos custos e prejuízos totais disparou de US$ 30 bilhões para US$ 42 bilhões, já que as inundações começaram a atingir Louisiana e as medidas de controle de alagamentos ficaram sobrecarregadas, segundo Chuck Watson, fundador da empresa de modelagem para previsão de desastres Enki Research. Os números, ainda provisórios, são menores que os registrados pelo furacão Katrina em 2005, que foram de US$ 176 bilhões, e o Sandy, em 2012, de US$ 75 bilhões.

O Texas, centro de energia dos EUA com produtividade anual de US$ 1,6 trilhão, representa cerca de 9% do PIB – segunda maior economia do país, depois da Califórnia. / REUTERS, NYT, W. POST, EFE e AFP 

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