Premiê alerta para desafios na festa do Ano Novo chinês

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, alertou seu povo para manter uma "mente sóbria" quanto aos desafios pela frente no novo ano do calendário chinês, no momento em que o país celebrava neste sábado o início do ano do tigre com festas ruidosas.

BEN BLANCHARD, REUTERS

13 de fevereiro de 2010 | 12h24

"Em 2010, a China enfrentará uma situação mais complicada, tanto internamente como no exterior", disse Wen, segundo a agência oficial de notícias Xinhua.

O povo tem de "manter uma mente sóbria e um senso maior de inquietação quanto a ficar para trás", acrescentou o primeiro-ministro.

Deverá ser dada prioridade à "persistência em considerar o desenvolvimento econômico como a tarefa central, forçosamente promovendo reformas e abertura... e fazendo um serviço melhor na resposta à crise financeira global, para manter o desenvolvimento econômico firme e relativamente rápido."

O governo está tentando manter o equilíbrio entre o crescimento econômico necessário para criar empregos para o país, de 1,3 bilhão de habitantes, e não deixar a economia ficar superaquecida e provocar o aumento dos preços de produtos básicos e da moradia.

O governo da China aumentou na sexta-feira pela segunda vez este ano o depósito compulsório dos bancos, assustando os mercados financeiros na véspera do feriado de Ano Novo ao mostrar que está determinado a conter empréstimos e inflação.

"Todas as coisas que fazemos têm por objetivo deixar o povo viver mais feliz e com mais dignidade", disse Wen.

A China teve crescimento de 8,7 por cento no ano passado, de longe um percentual maior do que qualquer outra grande economia, o que elevou a demanda por tudo, desde cobre chileno a minério de ferro australiano.

"Os preços estão subindo e os clientes estão preocupados com a inflação, mas hoje eu abaixei os preços por isso posso ir para casa mais cedo," disse o vendedor de hortaliças Li Chunmei, de Pequim.

Já o presidente chinês, Hu Jintao, passou a sexta-feira visitando investidores taiwaneses na província de Fujian, no sul do país.

Empresários de Taiwan investiram bilhões de dólares na China desde o início da détente entre os dois países, nos anos 1980, atraídos por uma cultura e língua comuns.

A China e Taiwan têm governos separados desde que uma guerra civil terminou com a vitória dos comunistas, em 1949.

As relações bilaterais melhoraram muito depois da eleição em 2008 do presidente taiwanês Ma Ying-jeou, que assinou uma série de acordos históricos de comércio e turismo com a China.

O ano do tigre é considerado um período que trará poderes heróicos míticos, apesar de profetas dizerem que é de mau agouro para o casamento. Mas o ano é considerado bom para a economia.

Pequim e a capital comercial, Xangai, celebraram com fogos de artifício e rojões. Acredita-se que os rojões espantem os maus espíritos e propiciem a chegada da deusa da riqueza no Ano Novo.

As festas prosseguirão na madrugada de domingo, oficialmente o primeiro dia do Ano Novo Lunar.

(Reportagem adicional de Lucy Hornby)

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