Premiê amplia vantagem em disputa partidária no Japão

O primeiro-ministro Naoto Kan ampliou a liderança sobre seu desafiante Ichiro Ozawa na disputa pela liderança do seu Partido Democrático do Japão (PDJ), disse a agência de notícias Kyodo na sexta-feira, dias antes da votação que pode estabelecer as prioridades fiscais do país.

LINDA SIEG, REUTERS

10 de setembro de 2010 | 09h38

Quem vencer a disputa em 14 de setembro terá a tarefa de impedir a divisão total do PDJ, num momento em que o governo enfrenta a supervalorização do iene, a fragilidade da economia, uma enorme dívida pública e um Parlamento rachado.

Os mercados aguardam políticas fiscais de mais estímulo caso Ozawa, 68 anos, vencer.

Mas não está claro se esse estrategista político, marcado por um escândalo de financiamento político, conseguirá sobreviver a uma possível campanha da oposição para obstruir os trabalhos parlamentares.

Ozawa é impopular junto a muitos eleitores, que não gostam da sua imagem de articulador político. Críticos questionam se as suas eventuais políticas econômicas servirão para livrar o Japão de décadas de estagnação.

"Políticas duras podem ser bem-vindas pelos mercados em curto prazo, mas em longo prazo a preservação do ambiente econômico e político pode servir apenas para reforçar a sensação de desesperança", disse Masamichi Adachi, economista-sênior da JP Morgan Securities Japan.

A agência Kyodo disse que Kan, que tomou posse como primeiro-ministro há três meses, conseguiu 585 pontos em um total de 1.222, contra 475 de Ozawa. Os pontos se baseiam nos votos ponderados de parlamentares nacionais e regionais e de filiados do PDJ.

O vencedor da eleição partidária, realizada a cada dois anos, deve se tornar primeiro-ministro, por causa da maioria do PDJ na Câmara dos Deputados.

Kan promete limitar a emissão de títulos públicos no ano fiscal que começa em abril, a fim de controlar a dívida pública, que já alcança quase o dobro do PIB japonês, de 5 trilhões de dólares. Neste ano, o governo emitiu mais de meio trilhão de dólares em títulos, e Kan quer que esse valor seja mantido.

(Reportagem adicional de Yoko Nishikawa, Yoshiyasu Shida, Leika Kihara, Stanley White, Nathan Layne e Chisa Fujioka)

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