Premiê anuncia coalizão em Israel

Após sete semanas de impasse, Binyamin Netanyahu firma acordo para novo governo

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2013 | 02h11

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, firmou ontem um acordo de coalizão para formar o próximo governo. O Likud-Beiteinu, aliança direitista liderada por ele, aliou-se ao partido de ultradireita Habayit Hayehudi (Casa Judaica) e ao centrista Yesh Atid (Há Futuro) após sete semanas de árduas negociações. A nova coalizão é a primeira em uma década a excluir partidos judeus ultraortodoxos.

"Trabalharemos juntos no novo governo para todos os cidadãos de Israel", disse Netanyahu em comunicado após a assinatura do pacto. O premiê também prometeu trabalhar para reforçar a segurança de Israel e melhorar o nível de vida da população.

O acordo significa uma coalizão de partidos que terá 70 das 120 cadeiras da Knesset (Parlamento). Ele será apresentado hoje ao presidente de Israel, Shimon Peres, logo após o shabat, no último dia de prazo para sua formalização.

O líder de Habayit Hayehudi, Naftali Bennett, definiu o novo governo como "uma grande oportunidade que não será desperdiçada". "Prometemos durante as eleições baixar o custo de vida, aumentar a competitividade da economia e devolver o espírito judeu ao Estado. Agora, temos as ferramentas para isso", declarou.

Finanças. Sob o novo acordo, o ex-âncora de TV Yair Lapid, do Yesh Atid, a maior surpresa na eleição de janeiro, será nomeado ministro das Finanças. Defendendo temas importantes para a classe média, o partido obteve 19 cadeiras da Knesset, sendo o segundo mais votado, atrás apenas da aliança Likud-Beiteinu, de Netanyahu e do ex-chanceler Avigdor Lieberman, que ganhou 31 cadeiras.

Na quinta-feira, o Yesh Atid concordou em juntar-se a um governo liderado por Netanyahu. Outros partidos que compõem a nova coalizão são o Bayit Yehudi (Lar Judaico) e o Hatnuah (O Movimento), liderado pela ex-ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni.

Lapid, que substituirá Yuval Steinitz assim que o novo governo tomar posse, fez uma campanha com base no combate às pressões financeiras sobre a classe média. Ele prometeu ainda dividir o peso da crise econômica e rejeitar os privilégios dados aos judeus ultraortodoxos.

O novo ministro das Finanças de Israel enfrentará um grande desafio fiscal para reduzir o déficit orçamentário, que atingiu 4,2% do PIB em 2012, o dobro da meta inicial de 2%.

Para conseguir reduzir o déficit para 3% do PIB em 2013, o governo precisará cortar US$ 3,8 bilhões em gastos e aumentar impostos em cerca de US$ 1,6 bilhão, de acordo com o Banco Central.

Zach Herzog, diretor da Psagot, gestora de fundos israelense, disse que Lapid terá de provar aos mercados que pode administrar a política fiscal. "Do pouco que pode ser colhido de seu ponto de vista econômico, ele estará bastante em linha com a política de centro-direita", disse Herzog.

"Ele fará cortes nos programas sociais e benefícios infantis. É parte da plataforma dele."

Apesar do conhecimento mínimo de economia, Lapid receberá um crédito de confiança dos investidores, pelo menos no início. "Segundo sua agenda, ele está a caminho de satisfazer os mercados", disse Eyal Klein, estrategista do IBI Investment House e ex-gestor de dívida externa do Ministério das Finanças.

Analistas preveem um mandato difícil para Netanyahu, que será forçado a negociar permanentemente com uma coligação heterogênea. Livni será a ministra da Justiça e responsável pelas negociações de paz com os palestinos.

Bennett será ministro da Indústria, mas seu partido terá também o ministério da Habitação e Construção. Ele defende a expansão dos assentamentos nos territórios ocupados e a anexação da Cisjordânia - o que o coloca em rota de colisão com Livni. / REUTERS e AP

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