Pierre-Philippe Marcou/AFP
Pierre-Philippe Marcou/AFP

Premiê anuncia eleição antecipada na Espanha

Enfraquecido desde a disputa regional de maio, Zapatero adianta para novembro a escolha de novo governo e confirma que não será candidato

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2011 | 00h00

Pressionado pelos mercados financeiros, por jovens manifestantes e pela oposição, o governo espanhol dissolveu ontem o Parlamento e antecipou as eleições gerais. O anúncio tinha como uma das metas acalmar os mercados, tensos diante da incerteza sobre a economia e a política em um dos países mais afetados pela crise financeira na Europa.

As eleições, que estavam marcadas para ocorrer em março, serão realizadas em 20 de novembro - dia da morte do general Francisco Franco.

Diante de uma taxa de desemprego de 20%, economia estagnada e risco crescente de a Espanha sucumbir à crise grega, o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero decidiu abrir caminho para "outro governo que possa projetar segurança política e econômica". A ideia é que um novo governo esteja em funcionamento em 1.º de janeiro.

Desgastado, Zapatero não será candidato pelo Partido Socialista. A sigla será representada por Alfredo Rubalcaba, ex-ministro do Interior.

Em maio, o PS sofreu sua pior derrota nas urnas desde a redemocratização espanhola (1978), perdendo 11 das 13 governos regionais em disputa. Para a oposição, que há meses vem pedindo a saída do premiê, o resultado tirou a legitimidade de Zapatero.

Nas ruas, um grupo de jovens manifestantes conhecidos como "indignados" continua a pressionar por reformas. Zapatero iniciou em 2010 uma série de cortes de benefícios sociais e elevou a idade mínima da aposentadoria. Com 46% dos jovens desempregados, os sindicatos também comemoraram o anúncio.

Oposição. O líder do Partido Popular, Mariano Rajoy, iniciou ontem mesmo sua campanha. Ele prometeu que não fará "cortes nos gastos sociais". O FMI emitiu nota dizendo que próximo governo espanhol terá de demitir funcionários públicos e aumentar impostos se quiser reduzir o déficit.

Acadêmicos e especialistas alertam que, se eleito, Rajoy dificilmente conseguirá evitar os cortes. Para Javier Díaz Jiménez, da escola de negócios IESE, o partido que vencer terá de adotar "medidas concretas para responder ao baixo crescimento".

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