, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2011 | 00h00

O primeiro-ministro do Líbano, o sunita Najib Mikati, anunciou ontem a formação de um novo governo após cinco meses de negociações e disputas políticas. O novo gabinete - composto pelo premiê, seu vice e mais 28 ministros - é bastante fragmentado e reflete a diversidade da política e da sociedade libanesa.

Os xiitas obtiveram cinco ministérios: dois para o Hezbollah, dois para o grupo secular Amal e um para o Partido Nacionalista Social Sírio. O restante foi dividido entre aliados do Hezbollah, sendo que a maior parte ficou com o bloco liderado pelo cristão maronita Michel Aoun - ele obteve 11 postos.

Outros contemplados no novo gabinete são o próprio premiê Mikati, que teve o direito de nomear cinco ministros sunitas, e o líder druso Walid Jumblatt, que ficou com três ministérios. O presidente libanês, o maronita Michel Suleiman, indicou dois nomes, enquanto os últimos dois são considerados "independentes".

Mikati foi designado premiê em janeiro, após o Hezbollah deixar o governo e derrubar o gabinete de Saad Hariri. O grupo xiita rejeita as investigações do tribunal da ONU que deve indiciar vários de seus membros pelo atentado que matou o ex-premiê Rafik Hariri, pai de Saad.

Mikati obteve o cargo graças ao apoio do Hezbollah, embora negue veementemente que deva favores aos xiitas. Apesar das desconfianças sobre uma coalizão dominada pelo Hezbollah, o premiê garantiu que o novo governo trabalhará para manter a estabilidade no Líbano.

"O novo Executivo será o gabinete de todo o Líbano e trabalhará para todos os libaneses, sem distinção e sem que haja vencedores nem vencidos", disse Mikati. O grupo ligado a Hariri, no entanto, boicotou o novo gabinete libanês.

A recente polarização da política libanesa começou após o atentado que matou Rafik Hariri - que se opunha aos 29 anos de ocupação do Líbano por tropas sírias -, em 2005. O ataque provocou uma onda de protestos que fez Damasco retirar seus soldados do Líbano, na chamada Revolução do Cedro. / AP

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