Mark Graham / AFP
Mark Graham / AFP

Premiê australiano renuncia e partido elege Scott Morrison para assumir o governo

Malcolm Turnbull deixou o cargo após seus correligionários decidirem pela sua substituição na liderança da sigla

O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2018 | 02h33
Atualizado 24 Agosto 2018 | 13h25

CAMBERRA - O Partido Liberal da Austrália nomeou nesta sexta-feira, 24, o ministro do Tesouro, Scott Morrison, como novo primeiro-ministro do país no lugar de Malcolm Turnbull, que renunciou após seus correligionários votarem pela sua substituição na liderança na sigla. O ex-premiê afirmou que não contestará a decisão do partido e deixará a vida política. 

Em votação a portas fechadas em Camberra, Morrison derrotou seu correligionário e ex-ministro do Interior Peter Dutton por 40 votos a 45. O resultado amargou pela segunda vez as pretensões de Dutton de assumir o governo australiano. Na terça-feira, 21, o parlamentar moveu uma moção semelhante contra o ex-primeiro-ministro Turnbull, mas perdeu a disputa interna por 48 votos a 35.

A nomeação de Morrison é a sexta mudança de primeiro-ministro na Austrália em 11 anos e a quarta na qual o premiê é retirado do cargo pelo próprio partido. A transição também representa uma guinada à direita na coalização governista, visto que Morrison é considerado mais conservador que Turnbull, porém mais moderado que Dutton.

Turnbull enfrentava forte pressão política dentro do próprio partido para renunciar ao cargo após anunciar um pacote energético fortemente criticado pela ala conservadora do Liberal. Agravando sua situação, pesquisas eleitorais indicavam que o governo poderia perder as eleições gerais no ano que vem, vencendo a oposição somente em alguns cenários.

Na quinta-feira, 23, Turnbull anunciou que realizaria um encontro com seus correligionários se 43 parlamentares assinassem uma petição solicitando a reunião. O ex-premiê disse também que deixaria o governo e seu assento no Parlamento se a sigla considerasse necessária uma mudança na liderança partidária. Após a votação, Turnbull condenou os aliados de Dutton e classificou como "insurgência" a campanha pela sua destituição feita nos bastidores.

"Muitos australianos estarão balançando a cabeça em descrença com o que aconteceu", disse. O ex-premiê anunciou que cumprirá sua promessa de deixar a vida política "mais cedo ou mais tarde".

Se Turnbull renunciar ao seu assento na Câmara do Parlamento da Austrália, eleições suplementares serão convocadas para assumir sua vaga, colocando em risco a maioria de apenas um assento detida pelo partido Liberal. Neste cenário, é possível que Scott Morrison, como novo primeiro-ministro, seja pressionado a antecipar as eleições gerais australianas.  //ASSOCIATED PRESS

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