Premiê australiano vai ao Timor Leste para tentar conter crise

Primeiro-ministro se reúne com Xanana Gusmão e diz que tropas do país permanecerão enquanto for necessário

REUTERS

15 de fevereiro de 2008 | 07h34

O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, fez uma rápida visita nesta sexta-feira, 15, à capital de Timor Leste, Díli, em mostra de apoio após a dupla tentativa de assassinato do presidente José Ramos-Horta e do primeiro-ministro Xanana Gusmão. O premiê afirmou que os soldados australianos vão permanecer no país enquanto for necessário.   Veja Também Leia entrevista de Ramos-Horta ao 'Estado' Ramos-Horta é figura central há 30 anos Miséria e violência: combustíveis da crise   Com o presidente José Ramos-Horta recuperando-se em um hospital da Austrália, após ser baleado, Rudd encontrou-se com o premiê Xanana Gusmão, antes de uma reunião com autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) e militares australianos. "É uma mensagem política bem alta e clara para todos em Timor Leste de que estamos lado a lado com o governo democraticamente eleito", disse Rudd à TV australiana antes de partir. A segurança em DÍli foi reforçada para a visita de três horas de Rudd - mais de 200 soldados e policiais foram mobilizados para ajudar as forças de segurança locais e internacionais, que incluem 800 soldados australianos já no país. Ramos-Horta, 58, foi baleado na segunda-feira, em sua casa, por soldados rebeldes liderados por Alfredo Reinardo - morto em um tiroteio que se seguiu. O primeiro-ministro Xanana Gusmão escapou ileso de uma tentativa de assassinato quase simultânea contra seu comboio. O Parlamento timorense impôs um estado de emergência até sábado. Rudd, ex-diplomata, afirmou que estava "profundamente preocupado com o futuro da segurança e estabilidade de Timor Leste" e que decidiu visitar o país para "ter uma melhor compreensão dos fatos".   Na reunião entre Gusmão e Rudd os dois líderes discutiram a situação econômica do país e problemas como o crescente desemprego. "Garantir um emprego aos jovens do Timor Leste é bom para os negócios, mas também é bom para a estabilidade deste país em longo prazo", disse Rudd.   Gusmão agradeceu a ajuda da Austrália e a resposta rápida do país logo depois dos ataques. "Nosso país é uma nação orgulhosa. Uma bala pode ferir o presidente, mas nunca poderá penetrar os valores da democracia", disse.   Segundo a BBC, a situação em Díli está calma desde a segunda-feira, apesar do temor de protestos e manifestações. O estado de emergência decretado por Xanana Gusmão ainda está em vigor.   Várias ordens de prisão foram emitidas para deter pessoas que estariam envolvidas com os ataques contra os líderes timorenses. Ramos-Horta foi atingido em um ataque liderado por Alfredo Reinado, líder de um grupo de soldados expulsos do Exército em 2006. Reinado foi um dos protagonistas da onda de violência que varreu o país em 2006, após sua expulsão junto com outros 598 militares. Na ocasião, pelo menos 37 pessoas foram mortas em várias semanas de combates e mais de 150 mil timorenses foram obrigados a deixar suas casas.   As forças internacionais lideradas pela Austrália estão fazendo buscas nas colinas em volta da capital, procurando os rebeldes. Reinado foi morto no ataque contra a residência de Ramos-Horta.

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