EFE/ Filip Singer
EFE/ Filip Singer

Merkel rejeita pedido de May para mudanças em acordo do Brexit

Depois de reunir-se com primeira-ministra britânica, chanceler alemã diz para partidários que 'não é possível alterar' o texto negociado entre Londres e Bruxelas; política britânica ainda se reunirá com presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia

O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2018 | 11h54
Atualizado 11 de dezembro de 2018 | 15h05

BERLIM - Depois de reunir-se com a primeira-ministra britânica, Theresa May, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse nesta terça-feira, 11, que "não é possível mudar" o acordo do Brexit negociado entre Londres e Bruxelas, informaram fontes próximas da política alemã.

Merkel fez essa declaração durante um encontro com legisladores de seu partido, a União democrata-cristã (CDU), após a reunião com May. Por sua vez, o líder da aliança conservadora CDU-SDU, Michael Grosse-Broemer, afirmou que o acordo do Brexit é "equilibrado" e "não será reaberto". "Não acho que a primeira-ministra britânica espere isso", acrescentou.

Durante a manhã, May tinha se reunido em Haia com o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte. Foi "um diálogo útil que nos permitiu discutir os últimos desenvolvimentos do Brexit", tuitou Rutte acompanhado de uma foto de ambos sorridentes.

Ainda nesta terça, ela deve seguir para Bruxelas, onde terá conversas com os presidentes do Conselho Europeu, Donald Tusk, e da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que pretende ressaltar que "não há margem para renegociação".

"Vou falar com a senhora May esta noite e direi, como disse ao Parlamento antes, que o acordo que alcançamos é o melhor acordo possível, é o único possível", afirmou Juncker aos eurodeputados reunidos em Estrasburgo, na França.

"Mas certamente há margem suficiente, com inteligência, para mais esclarecimentos, mais explicações sobre a interpretação", disse Juncker.

O giro europeu da premiê britânica tem como objetivo conseguir alguma "garantia" para salvar seu controvertido acordo do Brexit do fracasso depois que ela decidiu na segunda-feira adiar a votação crucial do Parlamento britânico, onde não tinha votos suficientes para aprová-lo.

Crítico de May, o opositor Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista britânico, afirmou que a viagem da primeira-ministra é "uma perda de tempo e dinheiro público", já que ela "parece incapaz de convencer a União Europeia a aceitar mudanças significativas em suas propostas". 

No entanto, diante da insistência de alguns pequenos partidos para ele apresentar uma moção de censura, Corbyn enfatizou que só fará isso quando tiver a certeza de que será aprovada.

21 de janeiro

O Parlamento britânico entrará em recesso de fim de ano no dia 20 deste mês e retomará suas atividades em 7 de janeiro. Nesta terça, Londres prometeu enviar o acordo do Brexit para votação no Legislativo antes de 21 de janeiro.

Depois do plebiscito de junho de 2016 em que 52% dos britânicos votou a favor do Brexit, o Reino Unido deve sair do bloco econômico em 29 de março e se não ratificar um texto negociado com Bruxelas terá que fazê-lo sem acordo, o que teria consequências graves para a economia britânica.

Também existe a possibilidade de o divórcio com a UE ser anulado, já que o país continua dividido em relação à essa questão - no momento, no entanto, essa é uma hipótese remota.

O acordo selado por May com seus 27 colegas europeus, uma calhamaço de 585 páginas fruto de 17 meses difíceis de negociações, é amplamente rechaçado pelo Parlamento britânico.

O ponto mais conflitante do texto é o chamado "backstop", um mecanismo criado para evitar o retorno de uma fronteira física  na ilha da Irlanda, o que poderia ameaçar o Acordo de Paz de 1998 que pôs fim a 30 anos de um conflito sangrento.

Os defensores do Brexit temem que o Reino Unido fique permanentemente atrelado às redes europeias e pressionam para que May renegocie o "backstop" na reunião de cúpula europeia de quinta-feira e sexta-feira em Bruxelas, na qual o Brexit não estava na agenda até segunda-feira.

Apoio a Irlanda

Em resposta, a premiê afirmou na segunda-feira que transmitira as "preocupações" dos deputados britânicos aos líderes europeus e "faria tudo que fosse humanamente possível para obter mais garantias" de que o backstop não será permanente ou que nunca deverá ser aplicado.

"É muito importante que essas sejam garantias adicionais juridicamente vinculantes", disse o ministro britânico para o Brexit, Martin Callanan, ao chegar para uma reunião de ministros de Assuntos Europeus em Bruxelas.

Juncker destacou a determinação da UE de fazer todo o possível para chegar à situação em que é necessário utilizar o "backstop", apesar de ter defendido que era "necessário", sobretudo para a Irlanda. "Nunca vamos deixar a Irlanda para trás", declarou.

O ministro irlandês de Relações Exteriores, Simon Coveney, garantiu à emissora pública de seu país RTE que o governo de Dublin descarta mudar o Acordo de Saída da UE. Ele disse, no entanto, que uma "declaração política do Conselho Europeu" seria bem-vinda.

Neste contexto, Tusk decidiu convocar para a quinta-feira uma cúpula extraordinária sobre o Brexit na abertura de uma reunião do Conselho Europeu de dois dias que, inicialmente, discutiria imigração e orçamento. / AFP, EFE e REUTERS

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