Dylan Martinez/ Reuters
Dylan Martinez/ Reuters

Premiê britânica supera moção de censura e permanece no cargo

Votação ocorreu dentro do Partido Conservador, da primeira-ministra; mais cedo, ela havia garantido que não concorrerá nas próximas legislativas

O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2018 | 19h18
Atualizado 12 de dezembro de 2018 | 22h54

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, sobreviveu à mais grave ameaça à sua liderança nesta quarta-feira, 12, vencendo uma moção de desconfiança convocada por parlamentares do Partido Conservador irritados com a forma como ela lidou com a problemática saída do país da União Europeia. A vitória, no entanto, não garante a aprovação do plano de saída nem a permanência de May como premiê por muito tempo.

Os conservadores têm 317 deputados no Parlamento. Nesta quarta-feira, 12, a moção foi rejeitada por 200 a 117. Agora, pelos próximos 12 meses, os integrantes rebeldes do Partido Conservador não poderão desafiar a liderança da premiê.

Após a votação, May disse que continuará tentando aprovar seu plano para o Brexit no Parlamento, mas confirmou que não concorrerá à eleição novamente em 2022. “Um número significativo de meus deputados votou contra mim, e eu vou dar ouvidos a eles”, disse May.

Aliados de May consideraram os 200 votos de apoio uma vitória – ela teve 165 votos em 2016 quando se tornou líder dos conservadores e, em consequência, premiê. Mas a maioria dos analistas acha que ela sai enfraquecida. Isso porque a margem estreita da vitória não altera a aritmética parlamentar que forçou May, esta semana, a adiar uma votação crítica sobre seu plano de retirada da UE. 

Integrantes do Partido Conservador favoráveis a um Brexit sem acordo planejam formar uma aliança momentânea com a oposição para aprovar uma moção de censura a May, o que a forçaria a deixar o cargo e convocar novas eleições. “O voto desta noite não faz diferença para a vida do nosso povo. A primeira-ministra perdeu a maioria no Parlamento”, disse o líder opositor Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista. 

Hoje, a oposição teria 307 votos, 13 a menos do que a maioria necessária para aprovar a moção. Com o apoio do Partido Nacionalista Escocês, do Partido Liberal-Democrata e do partido galês Plaid Cymru, os trabalhistas planejam apresentar uma moção de censura contra May, se aliando aos conservadores rebeldes.

“A vitória foi por uma margem estreita, o que indica que muitos de seus parlamentares não a querem mais no governo”, disse ao Guardian Tim Bale, professor de política da Universidade Queen Mary, de Londres. “Na prática, May vai continuar enfrentando a oposição dos eurocéticos do Partido Conservador e a batalha interna vai continuar.”

A intenção dos eurocéticos do Partido Conservador seria adiar ao máximo a escolha de um novo líder e atrasar qualquer acordo com Bruxelas. O prazo final para o Reino Unido sair da União Europeia de maneira amigável, com a manutenção de uma série de regras e acordos, é dia 29 de março. Os eurocéticos são contrários aos termos do plano proposto por May e acreditam que o Brexit duro, a saída sem acordo, seria melhor para o Reino Unido.

John Springford, vice-diretor do Centro para a Reforma Europeia, um instituto de pesquisa de Londres, disse que o tamanho do voto contra May “é um sinal claro de que ela não conseguirá negociar com o Parlamento e qualquer acordo que ela faça com Bruxelas será derrotado em uma votação”.

Em Bruxelas, diplomatas disseram à BBC que a votação muda “pouco ou quase nada” as dificuldades que May enfrentará em suas conversas com a União Europeia. Eles disseram ainda que nenhum novo líder britânico seria capaz de mudar os fundamentos do acordo de divórcio de 585 páginas negociado recentemente.

O foco do governo nos próximos dias será esclarecer as dúvidas envolvendo o “backstop” – mecanismo que manterá a Irlanda do Norte nas regras aduaneiras da UE mesmo que o bloco e o Reino Unido não cheguem a um acordo final sobre a fronteira com a Irlanda. / NYT, AFP e REUTERS 

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