Tolga Akmen / AFP
Tolga Akmen / AFP

Premiê britânico anuncia novo lockdown por variante de vírus

Segundo Johnson, a nova cepa pode ser 70% mais transmissível e pode ser responsável pelo aumento de contágios; Itália, México e Panamá também anunciaram restrições para as festas de fim de ano

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2020 | 14h25
Atualizado 27 de dezembro de 2020 | 22h44

LONDRES - O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou neste sábado, 19, que Londres, o sul e o sudeste da Inglaterra adotarão novo lockdown a partir de domingo para tentar conter um aumento de contágios de covid-19, atribuido a uma nova variante do vírus.

"Parece que essa propagação está alimentada por uma nova variante do vírus", que é transmitida "muito mais facilmente", declarou o primeiro-ministro em uma entrevista coletiva. "Pode ser até 70% mais transmissível do que a variante antiga", disse Johnson. "Nada indica que seja mais letal ou que cause uma forma mais grave da doença" ou reduza a eficácia das vacinas, reiterou Johnson.

De acordo com o premiê, as novas medidas são equivalentes ao lockdown imposto em novembro e durarão duas semanas. O governo britânico reavaliará a situação no dia 30 de dezembro. Sob as novas regras, o comércio não essencial e as academias terão de permanecer fechados. Além disso, as comemorações de Natal em Londres e na região sudeste serão canceladas. 

Apenas as famílias que vivem fora desta área terão agora permissão para se reunir no Natal na Inglaterra, e apenas no dia 25, com viagens de longa distância desencorajadas. “É com o coração apertado que devo dizer que não podemos continuar com o Natal como planejado”, disse o premiê, insistindo que não havia alternativa. 

“Sei quanta emoção as pessoas investem nesta época do ano e como é importante, por exemplo, que os avós vejam os netos, que as famílias estejam juntas”, disse. “Dissemos ao longo desta pandemia que devemos e seremos guiados pela ciência. Quando a ciência muda, devemos mudar nossa resposta", declarou Johnson ao ser questionado sobre o motivo de ele ter negado durante esta semana, em uma sessão no Parlamento, que o Natal seria cancelado na capital do país. "Temos de agir porque o vírus está se espalhando muito rápido."

Os governos escocês e galês foram informados sobre a situação e devem anunciar os próprios planos.

O diretor médico da Inglaterra, Chris Whitty, disse que, embora não haja evidências no momento de que a variante do novo coronavírus tenha causado uma taxa de mortalidade mais alta ou impactado as vacinas, um trabalho urgente está em andamento para confirmar isso.

“Alertamos a Organização Mundial da Saúde e continuamos analisando os dados disponíveis para melhorar nosso entendimento”, afirmou Whitty em um comunicado.

Mais casos

O Reino Unido registrou 28.507 novos casos de covid-19 na sexta-feira e 489 mortes, com o número de reprodução “R” estimado entre 1,1 e 1,2, o que significa que o número de casos está aumentando rapidamente. Nesta semana, os casos aumentaram em 40.9% em relação à semana anterior.

Maria Van Kerkhove, diretora técnica da OMS sobre covid-19, disse esta semana aos jornalistas que a agência de saúde da ONU "não tinha evidências de que esta variante do vírus se comporte de maneira diferente", acrescentando que é similar a uma cepa reportada inicialmente entre visons na Europa. Ela disse que os cientistas estudarão a cepa do vírus do Reino Unido para ver se poderia haver alguma diferença na forma que provoca uma resposta imune nas pessoas.

O Reino Unido começou a aplicar a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e a empresa de biotecnologia BioNTech no dia 8 de dezembro. O país foi o primeiro do Ocidente a vacinar a população em geral. 

A Agência Regulatória de Produtos de Saúde e Medicamentos do Reino Unido (MHRA) liberou o uso emergencial da vacina. Os resultados da fase final de testes da BNT162b2 apontaram eficácia de 95%. O imunizante tem como base a tecnologia conhecida como RNA mensageiro, que utiliza parte do material genético do vírus e instrui as células a produzir anticorpos. Os cientistas ainda não sabem por quanto tempo a imunidade pode durar. O CEO da BioNTech, Ugur Sahin, disse esperar que o efeito da vacina dure por um ano. 

Restrições em mais países

Antes que as campanhas de vacinação comecem a dar frutos, vários países voltam a impor mais restrições para tentar conter a propagação do vírus, principalmente no Natal e ano novo. 

A Itália anunciou na sexta-feira novas medidas nesta época de festas, incluindo o fechamento de bares e restaurantes e muitas lojas, e a proibição de viagens entre regiões. Será permitida apenas uma saída ao ar livre diária por casa. Entre 21 de dezembro e 6 de janeiro, os italianos poderão convidar apenas duas pessoas por casa, parentes ou amigos, acompanhados por seus filhos se forem menores de 14 anos.

Outras regiões do mundo começaram a aplicar novas medidas neste sábado. 

No México, a prefeita da capital anunciou que sua cidade e o Estado vizinho, onde vivem cerca de 23 milhões de pessoas, suspenderão quase todas as atividades a partir deste fim de semana, permitindo funcionar apenas setores essenciais como a alimentação, energia, transporte, manufatura e os serviços financeiros.  O México, que já soma mais de 117 mil mortes e 1,3 milhão de casos, está entre os cinco países mais afetados do mundo pela covid-19.

O Panamá, por sua vez, vai implementar uma quarentena total para Natal e ano novo e decidiu limitar o acesso aos supermercados. / REUTERS E AFP

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