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Premiê britânico diz que nomear chefe de tabloide como porta-voz foi um erro

Cameron sofre pressão da oposição em sessão do Parlamento, tenta se distanciar de Andy Coulson, ex-editor do ''News of the World'', e promete pedido de desculpas se ficar provado que ex-assessor mentiu ao negar envolvimento no escândalo

, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

LONDRES

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou ontem no Parlamento que se arrepende de ter contratado o jornalista Andy Coulson como porta-voz do governo, em maio de 2010. Ex-editor do tabloide News of the World, Coulson pediu demissão em janeiro, após ser envolvido no escândalo dos grampos.

"Analisando a situação com perspectiva e pensando em tudo o que ocorreu, eu não o teria contratado", afirmou Cameron, que respondeu a perguntas sobre seus vínculos com a News Corp., empresa do magnata Rupert Murdoch, dono do News of the World. "Lamento e sinto muito pelo impacto que isso causou."

Coulson tornou-se porta-voz do Partido Conservador em 2007, quando a legenda era oposição ao governo trabalhista. No entanto, após a vitória dos conservadores em 2010, Cameron, que assumiu o cargo de primeiro-ministro, contratou o ex-editor do tabloide como seu porta-voz.

Ontem, Cameron foi novamente criticado por ter mantido Coulson no cargo após os primeiros indícios de que ele estava envolvido nos grampos. "O primeiro-ministro tomou uma decisão ruim quando escolheu continuar trabalhando com Coulson", disse Ed Miliband, líder da oposição trabalhista.

Para Miliband, a contratação de Coulson foi "um erro de julgamento catastrófico". "Ele (Cameron) se colocou dentro de um trágico conflito de interesses, entre a integridade que o povo espera dele e seus vínculos pessoais e profissionais com Coulson."

Sob pressão, Cameron tentou arrastar os trabalhistas para o escândalo. "Por que você também tem um ex-jornalista da News Corp. trabalhando em seu gabinete?", criticou o premiê, em referência ao atual diretor de comunicação dos trabalhistas, Tom Baldwin, ex-jornalista do Times, que também pertence a Murdoch. Miliband disse ter consultado o veículo sobre o caráter de Baldwin e garante ter comprovado que ele não cometeu crimes, ao contrário de Coulson.

Cameron lembrou que o ex-porta-voz sempre negou ter conhecimento dos grampos, mas prometeu pedir desculpas caso provem que Coulson mentiu. "Se for revelado que mentiram, seria o momento de um profundo pedido de desculpas", disse o premiê.

O caso começou em 2005, quando a família real desconfiou de uma reportagem do News of the World sobre uma contusão no joelho do príncipe William. As primeiras investigações mostraram que o tabloide grampeou políticos e celebridades britânicas. Na semana passada, o escândalo ganhou força após novas evidências de que o jornal bisbilhotava também vítimas de crimes, de ataques terroristas e parentes de soldados mortos no Afeganistão e no Iraque. / AP e REUTERS

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