Premiê britânico sofre ataque do próprio partido

Críticas de candidato a deputado trabalhista roubam as atenções e fazem Brown ficar ainda mais na defensiva

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / LONDRES

As 48 horas que deveriam marcar o "relançamento" da campanha do Partido Trabalhista na eleição de amanhã, na Grã-Bretanha, começaram de forma dramática para o primeiro-ministro Gordon Brown. Alvo de ataques pesados dos adversários David Cameron e Nick Clegg, o atual premiê foi criticado ontem por um candidato a deputado de seu próprio partido, que o definiu como "o pior primeiro-ministro da história" do país.

O novo embaraço na campanha foi estampado nas páginas do jornal Lynn News, de Leicester, 90 quilômetros ao norte de Londres. A publicação trouxe uma entrevista com o candidato trabalhista Manish Sood. Sem meias palavras, ele fez declarações duras contra o líder de seu partido. "O governo (de Brown) é uma desgraça e ele deveria pedir desculpas ao povo e à rainha", afirmou Sood (leia entrevista nesta página).

As críticas foram desautorizadas pelo coordenador do partido na região de Norfolk North West, David Collis, mas o estrago já havia sido feito. As declarações de Sood desviaram a atenção da imprensa, estragando os planos dos trabalhistas de "relançar a campanha" de Brown.

A consequência foi mais um dia de confusões no campo trabalhista, tornando mais difícil a tarefa de reverter a dianteira obtida por Cameron. Segundo os institutos de pesquisa ICM, YouGov e Aggregate, a diferença entre o conservador e o trabalhista está em seis pontos porcentuais ? ainda insuficiente para a formação de uma maioria absoluta por parte dos conservadores.

Diante da hipótese cada vez mais provável de vitória dos conservadores, trabalhistas iniciaram uma campanha de voto útil, sugerindo a seus eleitores que escolham deputados liberais nas cidades em que os candidatos trabalhistas não tiverem chances. Essa política foi reforçada à noite, quando Brown adotou um discurso ambíguo, reafirmando o "voto trabalhista", mas deixando entender que apoia o "voto tático" para garantir uma "maioria anticonservadora".

Em resposta, Cameron tentou associar mais uma vez o voto em Clegg e nos candidatos liberais como um voto indireto no atual premiê. "Se você quer acordar na sexta-feira certo de que não terá mais cinco anos de Brown, vote no Partido Conservador", disse Cameron.

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