Premiê britânico tenta convencer escoceses indecisos a votar 'não'

Cameron faz última visita à Escócia antes de referendo sobre separação da Grã-Bretanha; cerca de 500 mil não decidiram o voto

O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2014 | 14h15

ABERDEEN/LONDRES - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, faz nesta segunda-feira, 15, sua última visita à Escócia antes do referendo histórico desta semana sobre a separação da Grã-Bretanha e tentará convencer os escoceses a votar pelo "não".

Com pesquisas de opinião sugerindo ser impossível prever o resultado do referendo, Cameron, líder do governista Partido Conservador, que tem sua base de poder na Inglaterra, fará um apelo aos eleitores para que não usem o referendo como um voto de protesto.

"Não há como voltar atrás com isso. Sem segundo turno. Se a Escócia votar 'sim', a Grã-Bretanha se dividirá e seguiremos caminhos separados para sempre", dirá o premiê, de acordo com trechos de seu discurso entregues à mídia por assessores.

A viagem de Cameron é o último esforço para tentar convencer muitos eleitores indecisos da Escócia a rejeitarem a independência. Estima-se que cerca de 500 mil pessoas dos mais de 4 milhões de eleitores registrados estejam inseguras sobre como votar.

O partido de Cameron detém apenas 1 dos 59 assentos escoceses no Parlamento britânico e o pró-independência Partido Nacional Escocês (SNP) tem desalojado os Trabalhistas nos últimos anos, emergindo como a força política dominante na Escócia.

Aliança. O secretário-geral da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, disse nesta segunda não acreditar que o referendo possa minar a contribuição britânica à aliança, seja qual for o resultado.

"Sem querer interferir com o debate às véspera do referendo, não vejo nenhum desfecho do referendo escocês tendo impacto na contribuição da Grã-Bretanha à Otan". Se os escoceses optarem pela separação, o país teria que se candidatar à Otan, mas Rasmussen não soube dizer quanto tempo o processo levaria.

"Se um novo Estado independente quiser ser membro da Otan, terá que fazer a solicitação e tal pedido será tratado exatamente da mesma maneira que todos os outros, irá requerer consenso, unanimidade dentro da aliança para que se aceite um novo membro", afirmou o secretário. / REUTERS

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