AP Photo/Virginia Mayo
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Premiê da Escócia pede conversa com União Europeia para definir futuro do país no bloco

Nicola Sturgeon afirmou que maioria da região votou pela permanência na UE e, portanto, novo referendo sobre separação do Reino Unido pode ser levado adiante 

O Estado de S. Paulo

25 Junho 2016 | 11h09

EDIMBURGO - A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou neste sábado, 25, que deseja realizar "discussões imediatas" diretamente com Bruxelas e outros países da União Europeia (UE) "para proteger" o lugar do país no bloco após a decisão do Reino Unido de deixar o bloco.

"O governo concordou em buscar discussões imediatas com as instituições da União Europeia e outros Estados membros da UE, com o objetivo de explorar todas as opções possíveis para proteger o lugar da Escócia na UE", disse Sturgeon, após uma reunião de emergência do governo regional para analisar as consequências da vitória do Brexit.

Em um discurso diante da residência oficial em Edimburgo depois de se reunir com seu gabinete, Sturgeon reiterou que examina a possibilidade de solicitar um segundo referendo de independência com relação ao Reino Unido, depois que a Escócia votou em sua maioria pela permanência na UE na consulta britânica.

Os escoceses votaram em massa a favor da permanência do Reino Unido na UE no referendo de quinta-feira, que foi vencido pelos partidários da saída do bloco por 52% contra 48%. "Tal como estão as coisas, a Escócia enfrenta a perspectiva de ser tirada da UE contra sua vontade. Considero que isso é democraticamente inaceitável", declarou a premiê. NaEscócia, 62% dos eleitores votaram em favor da permanência no bloco, contra 38%.

"Estamos decididos a atuar decisivamente, mas de um modo que contribua para a unidade em toda a Escócia sobre os próximos passos a dar". "Como disse ontem (sexta-feira), o segundo referendo de independência é claramente uma opção que deve estar sobre a mesa, e está."

Nos próximos dias, a Escócia estabelecerá um painel de assessoria com especialistas em finanças, direito e diplomacia para analisar as alternativas e procedimentos, afirmou a premiê escocesa. "Para assegurar que tal opção é factível serão adotados os passos para garantir que existe a legislação necessária", completou.

Em setembro de 2014, o governo do SNP, liderado na época por Alex Salmond, convocou um primeiro referendo de independência, no qual a opção de continuidade no Reino Unido superou a vontade dos independentistas por 55% contra 45% dos votos.

O jornal escocês "Daily Record", que em 2014 apoiou a união, defendeu em sua edição de hoje a possibilidade de realizar um segundo referendo sobre a relação da Escócia com o Reino Unido.

A premiê escocesa insistiu que o Executivo do Partido Nacionalista Escocês (SNP), que governa a região com maioria, procederá de maneira "estável e eficaz" para "proteger decisivamente os interesses" da nação escocesa. Sturgeon também se comprometeu a trabalhar duro para assegurar que a Escócia continue sendo "um lugar atrativo para os negócios". /AFP e EFE

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