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REUTERS/Michael Kooren
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Esquerda ganhará espaço em governo holandês

Para formar coalizão estável, líder liberal que derrotou extrema direita precisa unir quatro partidos; ‘verdes’ tornaram-se principal força em Amsterdã

Andrei Netto, Enviado Especial / Amsterdã, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2017 | 20h18

Um dia depois de impor a derrota ao candidato populista e xenofóbico Geert Wilders, o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, iniciou nesta quinta-feira as negociações para a formação de um governo de coalizão que obtenha a maioria absoluta no Parlamento. 

 O desafio é reunir pelo menos quatro legendas, já que o cenário pós-eleitoral é de alta fragmentação no Legislativo, com o declínio dos dois partidos históricos: o Partido Popular Liberal e Democrata (VVD), liberal-conservador que perdeu parte de sua bancada, e o Partido Trabalhista (PvdA), que detinha 35 deputados e passou a ter 8, de um total de 150.

As eleições legislativas na Holanda foram acompanhadas de perto por toda a Europa, que temia que o ultraconservador Geert Wilders, líder nacionalista e xenofóbico do Partido pela Liberdade (PVV), pudesse formar a maior bancada na câmara e no senado. O receio levou à maior mobilização do eleitorado em 31 anos e à vitória de Rutte, com 33 deputados, frente a Wilders, com 20. “87% dos holandeses disseram ‘Nós não queremos Wilders’”, explica Andre Krouwel, cientista político da Universidade Livre de Amsterdã. 

Os números finais da eleição escondem a complexidade do quadro político: embora vencedor, o VVD perdeu 20% de sua bancada, enquanto o PVV, perdedor, viu o número de eleitos crescer 25%. As duas legendas históricas do país minguaram, e novas forças políticas emergiram.

Essa situação obrigará Rutte, de 50 anos e em segundo mandato, a tentar montar uma aliança de partidos que irá dos conservadores Cristãos-Democratas (CDA), aos sociais-liberais do D66, ambos com 19 deputados. O somatório de forças é uma tentativa de formar um gabinete estável, com 76 deputados no Parlamento, que garanta a governabilidade pelos próximos quatro anos.

Para tanto, Rutte pode ter de apelar àquele que vem sendo considerado o verdadeiro vencedor das eleições na Holanda. Oposto político a Wilders, Jesse Klaver, de apenas 30 anos, filho de pai marroquino, fez campanha defendendo a União Europeia, o multiculturalismo, a justiça social e as energias renováveis e se tornou o pivô da futura coalizão ou futuro líder da oposição de esquerda.

À frente do partido ambientalista GroenLinks (Verdes-Esquerda), Klaver levou a legenda a registrar o maior crescimento no Legislativo, subindo de 4 para 14 deputados. Para analistas, o maior sinal de sucesso foi o resultado na capital, Amsterdã, onde seu partido substituiu os trabalhistas e se tornou a primeira força política, com 19,3% dos votos. 

De acordo com eleitores holandeses, o crescimento do GroenLinks obrigará Rutte a adaptar sua plataforma política, fazendo um governo mais próximo do centro e mais distante das políticas de Wilders. Para Lindy Redmond, britânica de 64 anos radicada há 40 na Holanda, Klaver tem qualidades para liderar o país no futuro. “Eu votei GroenLinks. Creio que Klaver é muito bom e eu gosto de ver a forma como ele se mantém frio sob fogo cerrado”, entende. “Ele tem muita força entre jovens.”

Para Mattie Schoorlemmer, de 58 anos, também eleitora do partido, Klaver está se preparando para suceder a Rutte na luta contra o populismo e em defesa do meio ambiente. “Jesse Klaver é muito bom, mas é muito jovem para ser primeiro-ministro”, disse ela, brincando com a própria opinião: “No passado eu pensei o mesmo sobre Rutte, ele cresceu e assumiu o posto”.

Em comum, Rutte e Klaver têm a defesa da União Europeia, da zona do euro, do livre-comércio e da livre circulação de pessoas. Mas a convivência entre os dois partidos em uma eventual aliança pode ser complexa, segundo Catherine de Vries, cientista política da Universidade de Essex. “Klaver tem diferenças fundamentais com Rutte, em especial em questões econômicas e sobre imigração”, diz a analista.

 

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