Jerry Lampen/Efe
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Premiê da Holanda inicia conversas para formar coalizão

Após vitória, Mark Rutte deve trabalhar junto com seu principal rival na eleição nacional

AE, Agência Estado

13 de setembro de 2012 | 11h09

HAIA - O líder do Partido Liberal (VVD) da Holanda, o primeiro-ministro Mark Rutte, venceu na quarta-feira as eleições nacionais e reverteu a recente tendência europeia de rejeitar defensores das medidas de austeridade econômica. Nesta quinta-feira, 13, Rutte iniciou as negociações para formar a nova coalizão que governará o país.

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Como líder do maior partido, Rutte irá propor um mediador que vai tentar descobrir se há base comum suficiente para iniciar as negociações. Esta nomeação precisa da aprovação do novo Parlamento, o que provavelmente irá acontecer até o fim da próxima semana, após a divulgação dos resultados oficiais das eleições.

O partido de Rutte conseguiu 41 das 150 cadeiras do Parlamento, com 98% dos votos contabilizados. Seu principal rival na eleição, Diederik Samsom, do Partido Trabalhista (PvdA), conseguiu 39 vagas. Agora os dois devem ser parceiros de coalizão.

O Partido da Liberdade (PVV), que fez campanha sobre uma plataforma que defendia a saída da Holanda da União Europeia e reintrodução da antiga moeda do país, o florin holandês, sofreu perdas substanciais e terminou com 15 cadeiras no parlamento. O Partido Socialista manteve 15 cadeiras, mas o número é muito menor do que sugeriram as pesquisas de opinião há duas semanas.

Os resultados da votação representaram um grande golpe para o esquerdista Partido Socialista e o de extrema-direita PVV, principais partidos de protesto na Holanda. Os vencedores VVD e o PvdA não serão mais obrigados a trazer um terceiro parceiro para a coalizão governamental, como se esperava, reportou o The Wall Street Journal. Mas para assegurar a maioria no Senado, eles poderão se juntar aos democratas do D66, partido de centro-esquerda.

A vitória de Rutte e Samsom, dois defensores da União Europeia, significa um reforço significativo para a união do bloco e uma derrota para adversários do euro. O populista líder do PVV, Geert Wilders, que defende a saída da Holanda da zona do euro, perdeu nove assentos no Parlamento.

Coalizão

Apesar de defenderem a permanência na União Europeia, a coalizão entre liberais e trabalhistas pode ser difícil de ser construída. Durante a campanha, Rutte chamou as políticas do Partido Trabalhista de "perigosas para a Holanda, enquanto Samsom diz que quer ver mais plataformas sociais no próximo governo.

O primeiro obstáculo para as negociações da coalizão será o orçamento de 2013, afirmou o BNP Partibas em nota de pesquisa para clientes. O PvdA não assinou o amplo acordo alcançado em abril passado para reduzir o déficit para 3% do PIB no ano que vem. O orçamento completo será apresentado em 18 de setembro no Parlamento e deverá ser aprovado sem emendas significantes, acrescentou o banco. "Uma vez que isso estiver resolvido, os partidos de negociação podem se distanciar da questão e apresentar seus pontos de vista sobre 2017."

O BNP Partibas afirmou também que as principais diferenças ideológicas entre os partidos são sobre as políticas de trabalho e do mercado imobiliário. Segundo o banco, o VVD quer estimular o crescimento por meio da melhora do funcionamento do lado da oferta, enquanto o PvdA deseja limitar a queda do poder de compra e melhorar a proteção do emprego para evitar uma declínio da demanda.

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