Sajjad HUSSAIN / AFP
Sajjad HUSSAIN / AFP

Premiê da Índia pede paz após confrontos violentos; já são 27 mortos e 200 feridos

Primeiro-ministro Narendra Modi, nacionalista hindu, pediu calma para fim dos protestos entre nacionalistas hindus e muçulmanos; motivo é lei considerada discriminatória aos islâmicos

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 10h57
Atualizado 26 de fevereiro de 2020 | 16h37

NOVA DÉLHI - O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, pediu nesta quarta-feira, 26, aos habitantes do território de Nova Délhi "paz e fraternidade", após os confrontos entre nacionalistas hindus e muçulmanos que deixaram 27 mortos e quase 200 feridos desde domingo. 

Estes são os piores confrontos em décadas em Nova Délhi. O governador da capital do país havia solicitado ao governo central que decretasse um toque de recolher e a mobilização do Exército. "A paz e a harmonia são fundamentais para nosso espírito. Faço um apelo a meus irmãos e irmãs de Délhi para que mantenham a paz e a fraternidade a todo momento", afirmou Modi, um nacionalista hindu, em uma mensagem divulgada no Twitter.

"É importante que exista calma e que a normalidade seja restabelecida o mais rápido possível", acrescentou o primeiro-ministro. Homens armados com pedras, facas e armas de fogo provocam o caos desde domingo nas áreas periféricas de maioria muçulmana ao nordeste da capital indiana, onde moram trabalhadores migrantes pobres.

Os grupos armados hindus atacaram locais e pessoas identificadas como muçulmanas, informou a imprensa local. De acordo com testemunhas, os agressores gritam "Jai Shri Ram" ("Viva o Deus Rama"). Nas redes sociais, circulam vídeos que mostram um grupo de nacionalistas hindus subindo no minarete de uma mesquita para colocar a bandeira indiana.

O principal hospital da zona registrou 22 mortes até esta quarta-feira. "Há 200 pessoas hospitalizadas. Quase 60 pessoas foram feridas a tiros", declarou o diretor do hospital GTB, Sunil Kumar.

Apesar do clima de tensão, nenhum ato de violência foi informado até o início da tarde desta quarta-feira. 

Mudança na lei de cidadania 

Os confrontos são motivados pela polêmica lei de cidadania. Para muitas pessoas, trata-se de uma legislação discriminatória em relação aos muçulmanos. A nova lei facilita a concessão da cidadania aos refugiados, desde que não sejam muçulmanos.

O texto cristalizou o temor de que os muçulmanos sejam relegados a cidadãos de segunda categoria, em um país onde os hindus representam 80% da população. A lei provocou as maiores manifestações na Índia desde a chegada do primeiro-ministro Narendra Modi ao poder em 2014. 

Arvind Kejriwal, governador de Délhi, estado que inclui a capital, considera a situação "alarmante" e pediu ao governo do premiê Modi a adoção do toque de recolher e o envio de militares. "Apesar de seus esforços, a polícia não consegue controlar a situação e restaurar a calma", disse Kejriwal.

A segurança em Nova Délhi, território que dispõe de um estatuto particular, é responsabilidade do governo central. Muitos trabalhadores migrantes começaram a abandonar o distrito dos confrontos para retornar para seus vilarejos.

"Não há trabalho. Vale mais a pena sair do que ficar. Ficar aqui para morrer?", desabafou um alfaiate que pretende voltar para seu vilarejo natal, no estado vizinho de Uttar Pradesh. m"As pessoas estão se matando. Há tiros", completou.

Em reação aos eventos em Nova Délhi, o primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, advertiu nesta quarta-feira que, "quando uma ideologia racista baseada no ódio toma o poder, isto leva a um banho de sangue", em referência ao nacionalismo hindu. A explosão da violência coincidiu no domingo com o início da visita do presidente americano, Donald Trump, que terminou na terça-feira.

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