Efe
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Premiê da Itália diz que naufrágio poderia ter sido evitado

Governo afirmou que já ocorreu um 'dano ambiental' na área, embora ainda restrito ao fundo do mar

18 de janeiro de 2012 | 14h11

LONDRES - Em sua primeira declaração após o naufrágio do Costa Concordia, o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti disse nesta quarta-feira, 18, que o acidente 'poderia e deveria ter sido evitado'.

Em visita ao Reino Unido para tratar de problemas relacionados com a crise da zona euro, Monti não quis dar declarações detalhadas, por considerar que os assuntos devem ser tratados pela Guarda Costeira e Capitania dos Portos do país. O primeiro-ministro afirmou, no entanto, que uma das grandes preocupações agora é evitar danos ao meio ambiente.

 

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Danos ambientais

O Governo italiano afirmou nesta quarta-feira que já ocorreu um 'dano ambiental', embora muito restrito ao fundo do mar da ilha de Giglio, por causa do naufrágio de sexta-feira do transatlântico Costa Concordia, que contém em seu interior 2.380 toneladas de combustível.

 

À margem de seu comparecimento nesta quarta-feira no plenário da Câmara Baixa, o ministro de Meio Ambiente italiano, Corrado Clini, afirmou que existe o risco de um possível vazamento de combustível ao mar, que pode esparramar-se ao longo de toda a costa do Mar Tirreno.

 

"Estamos diante de uma situação limite porque o navio está instável. É preciso atuar rápido (...). Acredito que nas próximas 12h estaremos prontos para começar a trabalhar para esvaziar as 2.380 toneladas de combustível do reservatório, mas para isso precisaremos de ao menos duas semanas".

O ministro de Meio Ambiente admitiu que para retirar o "Costa Concordia" do lugar onde está encalhado, obviamente será preciso mais tempo, basta "um pouco de bom senso para entender que existe uma manobra arriscada. Nesta quarta-feira, as autoridades tiveram de suspender as operações de resgate por causa de uma nova movimentação do transatlântico.

 

"Corremos um enorme risco de o combustível se dispersar no mar, o que pode contaminar não só a zona do naufrágio, mas toda a costa do Tirreno. Isso depende muito das correntes marinhas", comentou Clini, quem explicou que já receberam propostas da França e Alemanha para colaborar na gestão da catástrofe.

 

Segundo o ministro italiano, não é preciso que o Governo aprove uma lei proibindo os cruzeiros de se aproximarem do litoral para saudar os aldeões - o que está sendo cogitado como possível causa do naufrágio do "Costa Concordia"-, mas basta que impere o "bom senso" para perceber que estas são manobras "perigosas".

 

Na segunda-feira, Clini anunciou que o Governo decretará estado de emergência na zona no próximo Conselho de Ministros, previsto para esta sexta-feira, e se referiu a pequenos vazamentos de "matéria líquida" que, por enquanto, não se sabe se é combustível.

 

"As investigações em curso permitirão saber a natureza das perdas. Mesmo sem saber, começamos a proteção do casco com painéis que permitam conter os vazamentos", detalhou o ministro.

 

O representante na Itália da companhia holandesa Smit Salvage, encarregada pelas tarefas de retirada do combustível, estimou nesta quarta-feira que serão necessárias de duas e seis semanas para extrair todo o combustível dos tanques, e explicou que para isso e sem que ocorra contaminação será utilizado um sistema que permite perfurar a chapa da cisterna.

 

A ilha de Giglio faz parte de um parque natural marinho considerado um dos maiores ecossistemas do Mediterrâneo e em torno dela os helicópteros que trabalham nos trabalhos de resgate já visualizaram manchas na água.

 

O naufrágio do "Costa Concordia", de propriedade da companhia Costa Cruzeiros, fez por enquanto 11 mortes.

 

Com agências de notícias.

 

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