Marty Mellvile/AFP
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Premiê da Nova Zelândia é favorita para vencer eleição no sábado após gestão da covid-19

País registrou apenas 25 mortes por coronavírus e teve estratégia elogiada pela OMS; com exceção das fronteiras fechadas, vida voltou ao normal e população pode circular sem restrições

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2020 | 04h00

WELLINGTON - Esta semana, cerca de mil estudantes universitários sem máscaras receberam a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, como uma rockstar.

Com o rosto descoberto, a líder trabalhista posou com dezenas de apoiadores em seu último ato de campanha, carregando inclusive alguns nos ombros, já que as regras de distanciamento pela pandemia de coronavírus não são mais aplicadas no país.

Frente às eleições de sábado, essas imagens despreocupadas - que ilustram os ótimos resultados do governo no combate ao coronavírus - são mais importantes para Ardern do que qualquer discurso.

A premiê é favorita nas eleições do próximo sábado, 17, graças à sua gestão do coronavírus.

Sua estratégia de campanha, na qual as referências constantes aos sucessos na saúde ofuscaram totalmente as questões políticas, funcionou. As pesquisas mostram uma sólida vantagem sobre o Partido Nacional, de Judith Collins.

Com seus cinco milhões de habitantes, a Nova Zelândia registrou apenas 25 mortes por coronavírus, e sua estratégia foi elogiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com exceção das fronteiras fechadas e da recessão econômica, a vida na Nova Zelândia voltou a ser normal. A população pode circular sem restrições e frequentar sem medo bares e estádios.

Eleições adiadas

Na terça-feira, na Universidade Victoria, de Wellington, muitas pessoas afirmaram que a epidemia de covid-19 aumentou o apoio geral para uma primeira-ministra cujo estilo e descontração seduziram para muito além do arquipélago.

Enquanto Ardern triunfava entre os estudantes, sua rival Collins participava de uma reunião de campanha na vizinhança de Wellington com cerca de 30 apoiadores.

Collins, ex-ministra da Polícia, de 61 anos, defendeu-se bem nos debates, mas sua campanha não decolou.

Em julho, ela assumiu as rédeas da oposição - tornando-se a quarta chefe do Partido Nacional em três anos -, mas recebeu apenas 31% das intenções de voto, 16 pontos a menos que o resultado obtido pela sigla conservadora em sua última vitória em 2014.

Collins ataca o governo pelas decisões nos controles fronteiriços, que provocaram a segunda onda epidêmica em julho, e afirma que seu partido será muito mais competente para liderar a reativação da economia.

No entanto, a segunda onda, que adiou as eleições em um mês, já foi controlada e a credibilidade do Partido Nacional em questão de finanças foi afetada por vários erros em suas propostas orçamentárias.

Embora a vitória dos trabalhistas pareça uma evidência, o suspense gira em torno do avanço a ser alcançado pelo partido de Ardern, que está em coalizão com os Verdes e com os populistas do Nova Zelândia Primeiro (New Zealand First, ou NZF), partido do vice-primeiro-ministro Winston Peters. /AFP

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