Carlo Allegri/Reuters
Carlo Allegri/Reuters

Premiê da Nova Zelândia e seu gabinete cortam 20% de seus salários em meio à crise do coronavírus

Segundo premiê, os recursos que deveriam ser pagos ao gabinete serão doados para ações de combate ao novo coronavírus no país

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2020 | 16h13
Atualizado 15 de abril de 2020 | 18h45

WELLINGTON - A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, ministros de seu gabinete e executivos dos serviços públicos terão um corte de 20% nos seus salários nos próximos seis meses, em razão do impacto da pandemia de coronavírus. O dinheiro será doado para ações de combate ao surto da covid-19 no país. 

O governo previu que o desemprego aumentaria em razão da desaceleração global e doméstica. “É aqui que podemos agir e é por isso que estamos fazendo isso”, afirmou Ardern em entrevista coletiva, anunciando a decisão. “Reconhecemos que os trabalhadores neozelandeses que dependem de salários sofreram cortes salariais e perderam seus empregos como resultado da pandemia global.”

A premiê disse que, embora essa ação por si só não melhore o caixa do governo, a medida tem o objetivo de dar exemplo de austeridade em um momento difícil. “É a decisão correta. É o reconhecimento de que cada pessoa tem a sua responsabilidade na luta comum contra a covid-19”, afirmou.

No cargo, Ardern recebe cerca de 39,2 mil dólares neozelandeses (R$ 123,6 mil) por mês. Já os ministros têm como remuneração o valor mínimo de 20,8 mil dólares neozelandeses (R$ 65,6 mil). A premiê indicou que a doação total do primeiro escalão do governo, que a imprensa estima alcançar 1,6 milhão de dólares neozelandeses (R$ 5 milhões), é mais um de muitos esforços já feitos no país para combater a propagação do coronavírus.

Entre as medidas já aprovadas pelo governo da Nova Zelândia está um subsídio de 9 bilhões de dólares neozelandeses (R$ 28,3 bilhões) para 1,5 milhão de trabalhadores.

Em discurso para empresários da Nova Zelândia, no início do dia, o ministro das Finanças, Grant Robertson, disse que, se o governo decidisse diminuir as restrições que vigoram hoje no país, a ênfase seria liberar apenas atividades econômicas seguras.

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Robertson também afirmou que o orçamento anual, a ser anunciado em 14 de maio, se concentrará na recuperação econômica do país. “Isso incluirá financiamento das atividades necessárias para manter nosso país funcionando. Mas dedicaremos grande parte de nossos recursos para iniciar essa recuperação”, disse Robertson. 

A Nova Zelândia registrou ontem 20 novos casos de covid-19, elevando o número total de notificações para 1.386. O país de 4,8 milhões de habitantes registrou apenas 9 mortes até agora. Os escritórios, escolas e serviços não essenciais do país foram fechados nas últimas três semanas e a atividade econômica está paralisada – a Nova Zelândia tem um dos mais rígidos bloqueios do mundo. Espera-se que o governo decida na próxima semana se estenderá a atual paralisação.

Outros governantes também decidiram doar parte de seus salários nos últimos meses para a luta contra a covid-19. O governo de Cingapura, por exemplo, doou um mês do salário do primeiro-ministro e sua equipe em fevereiro, enquanto o primeiro-ministro tailandês, Prayut Chan-ocha, anunciou em março a doação de um pagamento mensal, cerca de US$ 3,8 mil (R$ 19,9 mil). / REUTERS, EFE e AFP

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