Premiê da Tunísia demite chefes da polícia após ataque em museu

Habib Essid confirmou reformulação da cúpula de segurança de Túnis após atentado ao Museu Nacional do Bardo; um suspeito continua foragido

O Estado de S. Paulo

23 Março 2015 | 11h56

TÚNIS - O primeiro-ministro da Tunísia, Habib Essid, demitiu nesta segunda-feira, 23, seis comandantes das forças policiais, incluindo o chefe de segurança aos turistas, em razão do ataque terrorista ao Museu Nacional do Bardo, na quarta-feira, que matou 20 visitantes estrangeiros.

De acordo com porta-voz do premiê, Mofdi Mssedi, entre os demitidos também estão o chefe da brigada de inteligência, o chefe da polícia do distrito de Túnis, o comandante da polícia de trânsito, um chefe de segurança do museu e um comandante da polícia do distrito de Sidi Bachir, na capital.

A demissão dos chefes de polícia já tinham sido anunciadas no sábado, em comunicado emitido pelo Ministério do Interior, no qual era informada a destituição de dez responsáveis de segurança da cidade, além do responsável de Fronteiras e Estrangeiros.

"O primeiro-ministro, Habib Essid, visitou o museu ontem e constatou uma série de falhas de segurança", disse Mssedi.

O ataque. O massacre ocorreu na quarta-feira, quando um jovem de aproximadamente 20 anos atirou contra um ônibus no estacionamento do Museu Nacional do Bardo, no qual viajavam cerca de 40 turistas. Sete pessoas morreram no primeiro ataque.

Depois, o terrorista e seus comparsas entraram no museu, o mais importante de Túnis, e fizeram reféns antes de trocarem de tiros da polícia, o que resultou na morte em mais 13 turistas e uma tunisiana.

A divulgação de um vídeo no domingo, em que era possível observar três homens armados no interior do museu, obrigou as autoridades tunisianas a admitirem que um dos terroristas tinha conseguido fugir.

Esse erro se somou a uma longa sequência de falhas. A polícia já tinha fichado um dos terroristas quando ele retornou de forma clandestina da Líbia, em dezembro, mas não o prendeu por não considerá-lo perigoso.

Segundo as forças de segurança, desde o ataque foram detidas 20 pessoas, quatro delas por suposta participação nos incidentes e o resto por suposto envolvimento com a logística dos terroristas.

Indícios apontam que o foragido se chama Maher Ben Muldi Gaidi, que já é alvo de um mandado de busca e captura como "suposto envolvido", segundo o Ministério do Interior tunisiano.

Os dois terroristas mortos foram identificados como Yassine al-Abidi e Hatem al-Jachnaui, aparentemente membros de uma célula até então desconhecida do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) em Túnis, que reivindicou o massacre.

O pai de um deles revelou na quarta-feira que não tinha notícias sobre o paradeiro do filho há três meses, apenas sabia que ele tinha viajado para se juntar ao EI na Síria e no Iraque.

O Ministério do Interior abriu uma investigação para esclarecer por que os seguranças do museu e do Parlamento, que fica próximo ao local do incidente, não estavam a postos no momento do ataque. 

Militantes do EI alegam que o ataque foi realizado por seus apoiadores, mas um grupo local iemenita afiliado à Al-Qaeda também divulgou mensagens e comentários sobre o atentado. / REUTERS e EFE

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