Premiê da Turquia aceita receber manifestantes

Erdogan fará reunião amanhã com emissários dos jovens que ocupam o Parque Gezi; governo diz que protestos terão terminado 'até o fim de semana'

Ancara, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2013 | 02h03

Em um aparente sinal de distensão, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, aceitou ontem receber para uma reunião representantes dos manifestantes que ocupam a Praça Taksim, no centro de Istambul. Erdogan, que inicialmente havia chamado de "terroristas" os jovens que protestam, deve se encontrar com eles amanhã, anunciou o vice-premiê turco, Bulent Arinc.

Ontem, porém, policiais voltaram a lançar bombas de gás lacrimogêneo e disparar balas de borracha no centro da capita turca, Ancara, para dispersar manifestantes.

Há 12 dias, um ato contra a demolição de uma das últimas áreas verdes em Istambul converteu-se em uma onda de manifestações, em dezenas de cidades, contra o que muitos turcos veem como o crescente autoritarismo do governo Erdogan. Vem diminuindo o número de jovens acampados para impedir a demolição do Parque Gezi, ao lado da Praça Taksim, para a construção de um shopping center.

Após uma reunião do gabinete de Erdogan, o vice-premiê turco afirmou a jornalistas que representantes dos jovens serão recebidos, mas indicou que os protestos terminarão até o fim desta semana e "atos ilegais não serão mais tolerados".

"Tudo o que precisa ser feito de acordo com a lei será feito", disse Arinc. "Todas as ações que forem necessárias contra atos ilegais terão sido tomadas até o fim de semana."

Embora o número de manifestantes tenha diminuído, o Parque Gezi continua coberto por barracas de camping. Na capital, Ancara, há protestos todas as noites - incluindo ontem - com pelo menos 5 mil pessoas, os quais forças policiais costumam dispersar com bombas de gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha.

Ladeira abaixo. Ainda ontem, o primeiro-ministro turco partiu para o ataque contra "especuladores financeiros". Na semana passada, em meio à violência nas ruas, o índice da Bolsa de Valores de Istambul despencou 15 pontos.

"Aqueles que tentam afundar a bolsa, entrarão em colapso. Se pegarmos a sua especulação, vamos te sufocar. Não importa quem você seja, nós vamos te sufocar", ameaçou Erdogan, em discurso.

A retórica do primeiro-ministro, cujo governo tem adotado políticas agressivas para atrair investimento externo, pegou de surpresa analistas do mercado financeiro. A agência Moody's afirmou que o prolongamento da crise nas ruas deve reduzir a receita com o turismo e piorar as contas externas da Turquia. / REUTERS e AP

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