Premiê da Turquia diz que tropas sírias agem com 'selvageria'

Erdogan afirma que seu país apoiará resolução na ONU caso Damasco não freie repressão

Agência Estado

10 de junho de 2011 | 16h11

ANCARA - O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou a repressão das tropas sírias contra os protestos pró-democracia como uma "selvageria" e sugeriu que a violência poderá levar a Turquia a apoiar resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o regime sírio.

 

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As fortes declarações do premiê turco significam uma mudança na postura turca sobre a questão síria. Até agora, Erdogan aconselhava o presidente sírio Bashar Assad a realizar amplas reformas e evitava críticas diretas ao regime de Damasco.

 

 

A Turquia passou a ter um papel fundamental na revolta síria no início da semana, quando passou a receber refugiados do norte da Síria. Milhares de pessoas cruzaram a fronteira por temer represálias do Exército após um suposto massacre de 120 militares na cidade de Jisr al-Shughour pelas mãos de "gangues armadas", segundo o governo.

 

 

As tropas sírias, apoiadas por tanques, cercaram a cidade de Jisr al-Shughour, que está praticamente deserta, e preparam um assalto contra insurgentes locais e soldados amotinados. Ativistas dizem que pelo menos 32 pessoas morreram em confrontos em todo o país só nesta sexta.

 

Erdogan disse que as imagens da Síria exibidas na televisão eram "intragáveis". Ele acusou o irmão mais novo do presidente Assad, Maher, que comanda a temida 4ª Divisão do Exército, de ter um comportamento "desumano". "Eu já disse isso claramente e de maneira aberta: o irmão dele (Maher) não age de uma maneira humana. Ele age além da selvageria", disse Erdogan, em declarações postadas na internet.

 

"Por causa disso, esses fatos colocaram o Conselho de Segurança (da ONU) em operação. Face a isso, nós, a Turquia, não podemos continuar falando a favor da Síria", afirmou Erdogan. Quatro países europeus apresentaram nesta semana uma proposta de resolução ao Conselho de Segurança da ONU, a qual condena a Síria pela repressão.

 

Os protestos contra o governo começaram em março na Síria. Mais de 1.100 civis, incluindo dezenas de crianças, foram mortos na repressão, segundo ativistas pelos direitos humanos. As informações são da Associated Press.

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