AP Photo/Ariel Schali
AP Photo/Ariel Schali

Premiê de Israel ameaça Irã em discurso na ONU

Em seu primeiro discurso na Assembleia-Geral da ONU, Bennett disse que o Irã buscou dominar o Oriente Médio sob um guarda-chuva nuclear

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2021 | 21h27

NOVA YORK - Menos dramático, mas tão inflexível quanto seu antecessor Binyamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, disse ontem que o Irã cruzou “todas as linhas vermelhas” em seu programa nuclear e prometeu que Israel não permitirá que Teerã adquira uma arma nuclear.

Em seu primeiro discurso na Assembleia-Geral da ONU, Bennett disse que o Irã buscou dominar o Oriente Médio sob um “guarda-chuva nuclear” e pediu um esforço internacional mais coordenado para interromper as atividades nucleares iranianas. 

Mas ele também deixou em aberto a possibilidade de Israel agir por conta própria contra o Irã, algo que ameaçou repetidamente no passado. “O programa nuclear do Irã atingiu um divisor de águas, e também nossa tolerância. Palavras não impedem que as centrífugas girem”, disse. “Israel não permitirá que o Irã adquira uma arma nuclear.” 

Embora não tenha havido resposta imediata do Irã, Bennett, um político de extrema direita que se opõe à criação de um Estado palestino, atraiu uma reação por não mencionar o conflito de décadas entre israelenses e palestinos em seu discurso.

O político, que encerrou o mandato de 12 anos de Netanyahu como primeiro-ministro em junho, quer que o presidente dos EUA, Joe Biden, endureça sua posição contra o Irã, arqui-inimigo regional de Israel. 

Ele se opõe aos esforços dos americanos para restaurar o acordo nuclear com o Irã de 2015, que o antecessor de Biden, Donald Trump, abandonou em 2018. As negociações indiretas entre Washington e Teerã em Viena foram paralisadas e a Casa Branca aguarda o próximo movimento do novo presidente ultraconservador do Irã, Ebrahim Raisi.

Bennett adotou um tom menos combativo nas Nações Unidas do que Netanyahu, que muitas vezes confiou em adereços para dramatizar suas acusações contra o Irã, uma abordagem que os críticos ridicularizaram como façanhas políticas. 

No entanto, Bennett tem sido tão inflexível quanto Netanyahu ao prometer fazer o que for necessário para evitar que o Irã, que Israel vê como uma ameaça existencial, construa uma arma nuclear. Teerã nega que esteja buscando uma bomba. “Todas as linhas vermelhas foram cruzadas e as inspeções, ignoradas”, disse Bennett, pedindo uma ação internacional. 

Bennett não fez uma única menção direta aos palestinos em seu discurso, exceto para acusar o Irã de apoiar grupos militantes anti-Israel, como o Hamas e a Jihad Islâmica. O premiê, que está no topo de uma coalizão ideologicamente diversa, foi anteriormente líder do principal movimento de colonos na Cisjordânia ocupada.

“Omitir deliberadamente uma referência à Palestina reflete seu medo dela e, mais uma vez, prova à comunidade internacional que ele não é e não será um parceiro dos palestinos no processo de paz”, disse o ministro das Relações Exteriores da Autoridade Palestina, Riyad al-Maliki. / REUTERS 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.