Premiê de Israel pede moderação a colonos na Cisjordânia

A poucas horas de expirar o prazo em que a construção de novos assentamentos israelenses na Cisjordânia ficou congelado, israelenses, palestinos e mediadores norte-americanos procuram chegar a um compromisso para dar continuidade as frágeis negociações sobre as fronteiras da Cisjordânia.

AE-AP, Agência Estado

26 de setembro de 2010 | 10h27

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu aos colonos israelenses que demonstrem "moderação" com a proximidade do fim dos 10 meses de moratória da expansão dos assentamentos, à meia-noite deste domingo, pelo horário local. Os colonos pretendem realizar uma manifestação no final do dia, retomando simbolicamente as construções.

Em nota, Netanyahu pediu também aos colonos que voltem atrás da manifestação para evitar acirramento da tensão e a seus membros de gabinete que não concedam entrevistas.

Os palestinos ameaçaram abandonar as negociações se as construções forem retomadas, enquanto Netanyahu tem dito que não ampliará o prazo, apesar dos apelos públicos do presidente dos Estados Unidos, Barak Obama.

Se ambos os lados não chegarem a um compromisso, o fim da moratória pode marcar também o fim das negociações de paz no Oriente Médio, reinauguradas pela Casa Branca há menos de um mês. O processo de paz foi suspenso pela última vez em dezembro de 2008, após 22 dias de conflitos em Gaza.

O presidente de Israel, Shimon Peres, e o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, voltaram para Israel hoje, de uma viajem aos Estados Unidos onde foram realizados vários esforços para o fechamento de um compromisso com representantes norte-americanos e palestinos. Mas o chefe das negociações para os palestinos, Saeb Erekat, e o chefe das negociações para os israelenses, Yitzhak Molcho, permaneceram nos Estados Unidos, deixando aberta a possibilidade de um acordo de último minuto.

Os colonos israelenses e os que os apoiam têm pressionado Netanyahu para manter o compromisso que assumiu de retomar as construções nos assentamentos da Cisjordânia. Diante da forte pressão dos palestinos e dos Estados Unidos para voltar atrás, o governo de Israel mantêm-se em silêncio com a proximidade do fim do prazo de congelamento das construções.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, chegou a Paris neste domingo para se reunir com líderes locais judeus antes de um encontro amanhã com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e com o primeiro-ministro, François Fillon, "para explorar o desenvolvimento do processo de paz". "Abbas irá informar Sarkozy sobre os últimos resultados dos esforços norte-americanos e internacionais para pressionar Israel a manter o congelamento dos assentamentos como uma necessidade para se continuar as negociações", afirmou o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina.

Os palestinos se opõem aos assentamentos na Cisjordânia dizendo que interferem nos planos de um Estado Palestino. Abbas é ameaçado internamente por seus rivais do grupo islâmico Hamas, que está no poder na Faixa de Gaza e rejeita qualquer reconhecimento de Israel. Abbas deveria retirar-se imediatamente das negociações e se concentrar na unificação palestina para lutar contra Israel, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum. Com informações da Dow Jones.

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