Premiê de Israel se une a ultranacionalista e forma megapartido de direita

Likud Beitenu pode vencer as próximas eleições e abrir caminho para um possível ataque ao Irã, segundo especialistas.

Guila Flint, BBC

25 de outubro de 2012 | 18h51

Três meses antes das eleições gerais em Israel, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o chanceler ultra-nacionalista Avigdor Lieberman anunciam a união de seus partidos, formando uma grande frente conservadora para as eleições.

De acordo com analistas locais, o novo partido, que se chamará Likud Beitenu, será "invencível" e poderá obter mais de 40 cadeiras no Parlamento.

A união cria mais expectativa em relação às próximas eleições, consideradas por vários analistas como uma espécie de "plebiscito" sobre um ataque a instalações nucleraes do Irã, defendido por integrantes do atual governo.

Com a união do partido governista Likud e a agremiação de direita nacionalista de Lieberman, Israel Beitenu, ganha força o atual e polêmico chanceler israelense, conhecido por suas posições linha dura nos assuntos relacionados ao conflito entre Israel e o mundo árabe.

No novo partido, Lieberman será o número dois após Netanyahu e poderá até ser nomeado ministro da Defesa - considerado o cargo mais importante depois de primeiro-ministro.

Segundo o analista do canal 10 da TV israelense, Nadav Peri, a principal razão que levou Netanyahu a se unir com Lieberman é a preocupação diante do crescimento do Partido Trabalhista .

Liderado por Shely Yahimovitz, o partido de centro-esquerda poderia ganhar mais de 20 cadeiras no Parlamento e desafiar o Likud, segundo as últimas pesquisas.

Outra preocupação de Netanyahu é a possibilidade do ex-premiê, Ehud Olmert, voltar à vida politica e assumir a liderança do partido de centro Kadima. Com a possibilidade do retorno de Olmert e talvez também da ex-lider do Kadima, Tzipi Livni, o partido teria chances de desafiar o Likud , após um período de enfraquecimento.

Livni declarou recentemente que "é necessário recolocar as negociações com os palestinos na agenda nacional", depois que Netanyahu dirigiu todas as atenções locais e internacionais à questão iraniana.

Irã

Em seu discurso perante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, Netanyahu estabeleceu um prazo "até o primavera do ano que vem" para um ataque, se até lá os iranianos não abrirem mão de seu projeto nuclear.

"Para nós, a interrupção do projeto iraniano se dará quando as centrífugas do Irã pararem de girar", disse o premiê recentemente.

Ao anunciar a união com Lieberman, Netanyahu declarou que "é necessário um partido forte para enfrentar os desafios à segurança de Israel", destacando principalmente o "armamento nuclear iraniano".

Lieberman afirmou que "diante dos desafios e ameaças que temos pela frente precisamos de uma força que tenha responsabilidade nacional".

Logo após o anuncio do novo partido, a lider do Partido Trabalhista, Shely Yahimovitz conclamou "todas as forças sensatas" a se unirem com seu partido e acusou o premiê Netanyahu de levar o Likud para a direita ao se unir com um partido "radical e racista".

De acordo com Yahimovitz, muitos eleitores do Likud deverão "rever seu voto" depois da guinada de Netanyahu para a direita e poderão votar no Partido Trabalhista.

Atualmente o Likud possui 27 cadeiras no parlamento e o Israel Beitenu tem 15 (entre 120). BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.