Premiê de Sarkozy pede demissão e dá início à transição

Com a saída de François Fillon, que deixa o cargo hoje, Hollande terá cinco dias para concluir montagem de gabinete

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2012 | 03h08

Na prática, a era Nicolas Sarkozy no Palácio do Eliseu chegou ao fim ontem. Em uma última reunião ministerial antes da transmissão de poder, o primeiro-ministro, François Fillon, anunciou que apresentará amanhã sua demissão e a de todo seu gabinete, encerrando a gestão.

Na prática, a demissão abre espaço para a transição entre os dois governos, que vai durar apenas cinco dias. Dia 15, o governo do socialista François Hollande toma posse.

A reunião do Conselho de Ministros ocorreu na manhã de ontem, no Palácio do Eliseu. Em um tom emotivo, alguns ministros deixaram o encontro carregando pequenos objetos e autógrafos do presidente. Aos ministros, caberá a administração de temas do cotidiano, mas em nenhuma medida estrutural. Sarkozy disse aos executivos que eles devem facilitar a transmissão de informações. "O governo vai tocar os assuntos correntes até a passagem de poderes", informou a porta-voz do governo, Valérie Pécresse.

Despedida. Sem esconder a tristeza com o fim de seu governo, o primeiro-ministro despediu-se de Sarkozy. "A título pessoal, e sem esconder a emoção, deixei clara minha gratidão e sobretudo meu orgulho por ter trabalhado com ele", afirmou Fillon na saída da reunião. O presidente, por sua vez, seguiu fiel à sua decisão de não se pronunciar após o discurso de admissão da derrota.

Caberá a Fillon e ao atual secretário-geral da União por um Movimento Popular (UMP), François Copé, a coordenação do partido até as eleições legislativas de junho, que definirão a composição da Assembleia Nacional e do Senado durante o mandato de Hollande.

Passada a eleição, os dois, somados ao atual ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, deverão disputar a chefia do maior partido de oposição. Ontem, Juppé advertiu: "Eu desejo que o novo presidente tenha sucesso, pois é preciso que a França tenha sucesso. Mas nós seremos vigilantes".

Enquanto um governo se despedia, o outro seguia em montagem. Ontem, Hollande realizou novas reuniões em seu comitê de transição. Desde a noite de terça-feira, ele recebeu o aval dos líderes do movimento Europe Ecologie-Partido Verde, para que integre os ambientalistas a seu gabinete.

Dois nomes são especulados: o da ex-candidata Eva Joly, jurista e pretendente ao Ministério da Justiça - mas com poucas chances de obter o cargo -, e Cécile Duflot, secretária-geral do movimento, que pode ser escolhida ministra do Meio Ambiente.

Sobre os demais cargos, a incerteza permanece. Embora os nomes especulados continuem os mesmos, nenhuma definição foi revelada à imprensa até ontem, a seis dias da posse.

Contatos internacionais. Além da formação do governo, Hollande tem multiplicado seus contatos internacionais. Ontem ele recebeu em seu escritório o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, com quem conversou sobre a crise internacional.

Logo após assumir o cargo, o presidente socialista participará da reunião extraordinária da União Europeia, no dia 23, além de cúpulas do G-8, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e do G-20 em junho.

Não foi descartada a possibilidade de Hollande participar da conferência Rio+20, o que seria sua primeira visita ao Brasil como presidente da França. No entanto, o calendário do evento não ajuda. A conferência Rio+20 será realizada na mesma semana das eleições parlamentares na França.

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