Premiê demite chefe de polícia e muda sede de governo

Medida é resposta à invasão dos dois aeroportos da Tailândia; manifestantes prometem resistir até a morte

Redação com agências internacionais

28 de novembro de 2008 | 10h21

O governo da Tailândia destituiu hoje o diretor da polícia nacional, o general Phatcharawat Wongsuwan, no meio da profunda crise que atravessa o país com manifestantes antigovernamentais ocupando os dois aeroportos de Bangcoc e a sede do governo.  O general Prateep Tanprasert assumiu interinamente as responsabilidades do cargo, informa a edição digital do jornal "The Nation". A medida foi tomada um dia após o primeiro-ministro tailandês, Somchai Wongsawat, declarar o estado de exceção nos aeroportos de Suvarnabhumi, o principal do país, e Don Muang, ambos em Bangcoc e tomados por milhares de partidários da Aliança do Povo para a Democracia.Nova sede do governoO primeiro-ministro instalou nesta sexta-feirade forma indefinida a sede do governo na cidade de Chiang Mai, no norte do país, em resposta ao assédio dos manifestantes e das divergências com o Exército. Wongsawat, que desde que assumiu o cargo no começo de setembro não pôde usar o palácio do governo de Bangcoc, ocupado pelos manifestantes, se viu forçado a viajar na quarta-feira a Chiang Mai, depois que os manifestantes da antigovernamental Aliança do Povo para Democracia assumiram o controle dos dois aeroportos da capital. "O primeiro-ministro não tem planos de retornar a Bangcoc em um curto prazo porque existe certa incerteza sobre os movimentos dos militares", disse o vice-porta-voz do Governo, Suparat Nakboonnan. Em Chiang Mai, para onde também se transferiram alguns membros do Gabinete, Wongsawat despacha por telefone e videoconferência com seus colaboradores e principais funcionários da Administração, que continuam na capital tailandesa.Chiang Mai, a cerca de 600 quilômetros da capital, é um forte reduto do Partido do Poder do Povo (PPP), liderado por Wongsawat. Manifestantes prometem resistirOs manifestantes que invadiram os dois aeroportos de Bangcocafirmam que vão lutar até à morte caso as forças do governo tentem retirá-los à força do local.  "Não temos medo. Vamos lutar até à morte, não vamos nos render, estamos prontos. Se nos dispersarem, voltaremos com mais manifestantes", disse Somsak Kosaiuk, um dos líderes, no aeroporto de Don Mueang, nesta sexta-feira. Segundo correspondentes a polícia está preparada para agir, mas ainda não fez nenhum movimento. A presença de crianças e idosos entre os manifestantes pode ser uma das razões, além da recusa por parte do Exército em se envolver.

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