REUTERS/Alessandro Bianchi
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Premiê designado na Itália desiste de formar governo e renuncia

Decisão agravou a crise no país depois das dificuldades encontradas por Conte para escolher seu Executivo; Mattarella convocou ex-funcionário do FMI para negociar governo técnico

O Estado de S.Paulo

27 Maio 2018 | 16h25
Atualizado 28 Maio 2018 | 16h21

ROMA - O professor e jurista Giusepe Conte recusou neste domingo, 27, a incumbência de formar um governo na Itália, como tinha lhe pedido o presidente Sergio Mattarella após a proposta dos partidos Liga Norte e Movimento 5 Estrelas (M5S). A decisão agravou a crise no país depois das dificuldades encontradas por Conte para escolher seu Executivo.

O anúncio foi realizado pelo secretário-geral da Chefia de Estado, Ugo Zampetti, que leu um breve comunicado na sala de imprensa do Palácio do Quirinal, sede da presidência italiana, no qual se expressava que Conte devolvia a incumbência que tinha aceitado com reservas.

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Durante a tarde de hoje, os líderes da ultradireitista Liga, Matteo Salvini e do antissistema M5S, Luigi Di Maio, também se reuniram com Mattarella.

Conte chegou a essa decisão depois dos problemas causados pela indicação como ministro de Economia do eurocético Paolo Savona, de 81 anos, conhecido por suas posturas contrárias ao euro. A Liga tinha afirmado que não desistiria do nome de Savona e, em caso de veto por parte da chefia do Estado, a eles restava apenas a possibilidade de realizar novas eleições.

Dessa maneira, a crise política na Itália se agrava. Mattarella convocou o economista Carlo Cottarelli para negociar um governo técnico, até que o impasse seja resolvido – provavelmente com novas eleições. 

Um Salvini muito zangado discursou em um comício eleitoral na cidade de Terni, no centro da Itália, e garantiu que, se houver vetos, a única saída seria voltar às urnas.

"Eu só digo que por princípio decidem os italianos, não os alemães, franceses ou portugueses... Para formar o governo decidem os cidadãos", bradou Salvini.

"Se o professor Savona não pode ser ministro porque tem o defeito de defender os cidadãos italianos pondo em discussão as regras europeias, então sou eu o que saio do governo e levo Savona", acrescentou.

Em sua opinião, "se um ministro incomoda os poderes fortes que nos massacraram ou não agrada Berlim, este é o ministro certo".

"Se estamos em uma democracia, o único que nos resta é voltar a dar a palavra, o direito de falar, aos italianos e pedir-lhes um mandato completo para que possamos decidir sozinhos", completou o líder da Liga.

Cottarelli, de 64 anos, é ex-funcionário de alto escalão do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ganhou o apelido de “Sr. Tesoura” quando foi encarregado da revisão das despesas públicas do país durante o governo de Enrico Letta, em 2013. Como reação a escolha de Cottarelli, começou a surgir ontem na Itália pedidos para que se instaure um processo de impeachment contra o presidente Mattarella. / AFP e EFE

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