Premiê do Iraque é convidado a formar novo governo

O presidente do Iraque, Jalal Talabani, pediu hoje ao atual primeiro-ministro do país, Nouri al-Maliki, que forme um novo governo. A medida é parte de um acordo para encerrar um impasse de oito meses em torno de quem liderará o Iraque nos próximos quatro anos, no período que deve incluir a retirada das tropas norte-americanas do país.

AE, Agência Estado

25 de novembro de 2010 | 10h27

O já aguardado pedido de Talabani estabelece um prazo de 30 dias para Maliki montar sua equipe, que deve incluir todas as facções rivais do país. Maliki aceitou o pedido de Talabani, mas notou que a tarefa "não é simples", dadas "as circunstâncias pelas quais o país está passando".

O novo governo deve incluir os curdos, partidos políticos xiitas aliados com o Irã e o bloco sunita que acredita que deveria estar no comando do próximo governo. Muitos políticos estavam na sala com Maliki e Talabani quando o anúncio foi feito, em uma tentativa de mostrar união em um quadro político muitos vezes fraturado.

Maliki era uma figura obscura da política iraquiana, mas ganhou espaço e lidera o governo desde 2006. Ele pediu a todas as seitas, religiões e etnias iraquianas que apoiem seu governo. O primeiro-ministro terá de encontrar postos importantes para todas as facções do país, ou elas ameaçam deixar o governo, o que poderia desestabilizar a ainda frágil democracia iraquiana, que luta para superar anos de violência e sanções econômicas.

O pedido do presidente desta quinta-feira foi mais uma formalidade, que ocorre após Talabani ter sido reeleito no dia 11. Na ocasião, ele já havia pedido para Maliki formar um novo governo. O presidente tinha 15 dias para fazer a oferta formal, e aguardou esse prazo para dar a Maliki um tempo extra para negociar.

O grupo político de Maliki ficou em segundo nas eleições gerais de 7 de março, logo atrás do bloco sunita liderado pelo ex-premiê Ayad Allawi. Nenhum dos blocos, porém, obteve a maioria de 163 cadeiras para formar um governo, o que gerou um período de negociações e indefinição política. A incerteza piorou o quadro de violência, com insurgentes tentando explorar o vácuo político para causar mais violência sectária.

Uma das informações mais aguardadas é o que Maliki oferecerá à coalizão de Allawi, chamada de Iraqiya. Caso a população sunita se sinta alijada do poder, isso pode gerar um novo aumento na violência sectária. As informações são da Associated Press.

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