Premiê do Iraque exige que curdos entreguem político sunita

Vice-presidente iraquiano fugiu para o Curdistão após ter um mandado de prisão emitido contra ele

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h04

O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, ordenou ontem que a região semiautônoma do Curdistão iraquiano, no norte do país, entregue à Justiça o vice-presidente, o sunita Tariq al-Hashemi, que fugiu de Bagdá para a região curda após o governo ter expedido uma ordem de prisão contra ele.

Hashemi é acusado pelo governo iraquiano, controlado por xiitas, de ter comandado esquadrões da morte e milícias que mataram xiitas. Na segunda-feira, ele afirmou que as acusações são fabricadas e politicamente motivadas. Ele acusou Maliki de querer centralizar ainda mais os poderes após a retirada total das tropas americanas, prevista para o dia 31. Hashemi também acusou Maliki de minar a reconciliação entre sunitas e xiitas.

O Exército do Iraque e a polícia local não atuam no Curdistão, que possui seus próprios Exército e polícia. Enquanto os dirigentes curdos iraquianos permitam que Hashemi fique na região, ele permanecerá sem ser perturbado. Os curdos também temem o crescente viés autoritário que Maliki está adotando, apesar de também discordarem dos sunitas iraquianos.

"Não permitirei que outros negociem com o sangue dos iraquianos", disse Maliki, nos primeiros comentários sobre a ordem de prisão emitida contra Hashemi. Ele disse que o Iraque é um país unificado e, por isso, as autoridades curdas precisam entregar Hashemi à Justiça.

Os curdos não são árabes, mas muçulmanos sunitas. Sua região funciona quase como um território independente. "Se eles (os curdos) não entregarem Hashemi ou deixarem que ele fuja para outro país, isso causará problemas", disse o premiê. "Nós demos um julgamento justo para o ex-ditador Saddam Hussein. Nós garantiremos um julgamento justo para Hashemi." Há boatos de que o vice-presidente tentará fugir para a Turquia, que faz fronteira com o Curdistão.

A minoria árabe sunita dominou o Iraque durante a ditadura de Saddam, entre 1979 e 2003. Os xiitas, reprimidos, passaram a governar em 2006. Hashemi negou as acusações de que pagou pela morte de funcionários do governo durante a insurgência sunita no Iraque, que ocorreu em meados da década passada.

EUA. Na terça-feira, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, pediu que Maliki trabalhe com outras partes para evitar um conflito sectário. "O vice-presidente destacou a necessidade urgente de um encontro entre o premiê e os líderes de outros blocos importantes para que trabalhem juntos suas diferenças", afirmou a Casa Branca, em comunicado. O bloco sunita Iraqiya, porém, já disse que boicotará as reuniões do gabinete após a emissão do mandado de prisão contra Hashemi. / AP

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