Premiê do Iraque exige que curdos entreguem rival sunita

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, ordenou à região semiautônoma do Curdistão iraquiano, no norte do país, que entregue à Justiça o vice-presidente sunita do país, Tariq al-Hashemi, que fugiu de Bagdá para a região curda após o governo ter expedido uma ordem de prisão contra ele. Hashemi é acusado por Maliki e pelo governo iraquiano, controlado pelos xiitas, de ter comandado esquadrões da morte e milícias que mataram xiitas. Ele nega as acusações. Na segunda-feira, ele afirmou que as acusações de Maliki, seu rival político, são fabricadas e politicamente motivadas. Ele acusou Maliki de centralizar ainda mais os poderes no Iraque após a retirada total das tropas norte-americanas. Hashemi também acusou Maliki de minar a reconciliação entre sunitas e xiitas.

AE, Agência Estado

21 de dezembro de 2011 | 15h45

O problema é que o Exército do Iraque e a polícia nacional iraquiana não operam no Curdistão, que possui seus próprios exército e polícia, como região autônoma que é. Enquanto os dirigentes curdos iraquianos permitam que Hashemi fique na região, ele permanecerá sem ser perturbado. Os curdos também temem o crescente viés autoritário que Maliki está adotando, embora também tenham divergências com os sunitas iraquianos.

"Eu não me permitirei, e também não permitirei que outros negociem com o sangue dos iraquianos", disse Maliki, nos primeiros comentários sobre a ordem de prisão emitida contra Hashemi. Ele disse que o Iraque é um país unificado e que por isso as autoridades autônomas curdas precisam entregar Hashemi à Justiça. Os curdos não são árabes, mas são muçulmanos sunitas. Suas províncias no norte iraquiano funcionam quase como um território independente. "Se eles (os curdos) não entregarem Hashemi ou deixarem que ele fuja para outro país, isso levará a problemas", disse o primeiro-ministro.

"Nós demos um julgamento justo para o ex-ditador Saddam Hussein. Nós garantiremos um julgamento justo para Hashemi", disse Maliki.

Existem boatos de que Hashemi tentará fugir para a Turquia, que divide com o Curdistão iraquiano uma longa e montanhosa fronteira.

A minoria árabe sunita dominou o Iraque durante a ditadura de Saddam Hussein, entre 1979 e 2003. Os árabes xiitas, reprimidos, passaram a governar a partir de 2006, e como são maioria costumam eleger muitos políticos.

Hashemi negou as acusações de que pagou seus guarda-costas para matarem funcionários do governo durante a insurgência sunita no Iraque, que ocorreu em meados da década passada, quando os EUA ocupavam amplamente o país.

Na terça-feira, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, pediu que Maliki trabalhe com outras partes para solucionar a crise. O bloco sunita Iraqiya afirmou que boicotaria as reuniões do gabinete, após a divulgação do mandado de prisão contra Hashemi. Há o temor de que o caso gere uma crise sectária, no país onde essas divisões já causaram muita violência e até uma guerra civil no passado recente.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.