Premiê do Iraque rejeita formar 'governo de salvação nacional'

Maliki afirmou que pedidos são 'golpe contra a Constituição' e acusou partidos políticos de darem cobertura a ações de insurgentes

O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2014 | 08h47

BAGDÁ - O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, rejeitou nesta quarta-feira, 25, a formação de um governo de salvação nacional para tentar encontrar uma saída ao atual conflito com insurgentes sunitas, como pediram partidos políticos do país e parte da comunidade internacional.

"As chamadas para formar um governo de salvação nacional são um golpe contra a Constituição e uma tentativa de eliminar o processo democrático", afirmou Maliki em seu discurso semanal televisionado.

O premiê xiita acusou, além disso, as forças políticas "que se rebelaram contra a Constituição" de se unirem às fileiras do jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês) e dar cobertura à insurgência sunita para que controle a província setentrional de Ninawa. "No meio das difíceis circunstâncias não escutamos os parceiros políticos falar de um respaldo ao governo", lamentou Maliki.

O primeiro-ministro advertiu que o país faz frente a "uma feroz ameaça terrorista", que conta com a ajuda e o respaldo de países vizinhos, que não foram identificados. "Permaneceremos fiéis à vontade dos iraquianos fortalecendo o processo democrático e realizaremos a primeira sessão do Parlamento", eleito em abril passado, acrescentou Maliki.

Partidos políticos iraquianos - sunitas e xiitas - pediram nos últimos dias a formação do um governo de união nacional que englobe as distintas partes e advogaram por diferenciar as reivindicações legítimas dos sunitas das ações do Isil.

O secretário de Estado americano, John Kerry, visitou Bagdá há dois dias e também solicitou ao premiê um gabinete de unidade. "Quando os xiitas, os sunitas e os curdos participarem da escolha do governo, o Iraque será mais forte e seguro", disse na ocasião.

Em 1 de julho, o Parlamento iraquiano deve eleger o presidente e o chefe do governo, prazos com os quais Maliki se comprometeu. / EFE

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