Premiê do Japão convoca eleição e pode ser derrotado

Ministros japoneses deram aval na terça-feira (hora local) à proposta do primeiro-ministro Taro Aso para dissolver a Câmara dos Deputados e convocar eleições, provavelmente em 30 de agosto, apesar de as pesquisas indicarem o risco de o seu Partido Liberal Democrático sofrer uma derrota histórica.

YOKO KUBOTA E YOKO NISHIKAWA, REUTERS

20 de julho de 2009 | 22h06

Uma vitória do Partido Democrático do Japão representaria o fim de mais de 50 anos quase ininterruptos de governos do conservador PLD. Seria também a chance de superar um impasse político que dificulta a implementação de políticas de combate à recessão.

Muitos investidores provavelmente ficariam aliviados com o fim da prolongada crise política, mas alguns analistas temem que os gastos públicos defendidos pelo PDJ agravem a já enorme dívida pública e pressionem a cotação dos títulos públicos.

Várias pesquisas mostram o PDJ bem à frente do PLD, embora ainda haja quase 30 por cento de indecisos.

Ao anunciar na semana passada a intenção de antecipar as eleições, um dia depois de o PLD ser trucidado numa votação para a assembleia regional de Tóquio, Aso provocou o caos dentro do seu partido, e uma ala espera derrubá-lo da liderança nas próximas semanas.

Dirigentes partidários impediram a rebelião, mas concordaram que Aso compareça na terça-feira diante da bancada do PLD para tentar responder às críticas e restaurar a unidade.

Num sinal de como o partido tenta ocultar as suas divisões, o encontro seria fechado à imprensa.

Todos os ministros aceitaram o plano de antecipação da eleição na terça-feira, segundo o titular da pasta da Saúde, Yoichi Masuzoe. Havia especulações de que o ministro das Finanças, Kaoru Yosano, poderia rejeitar a proposta.

Aso, 68 anos, neto de um ex-primeiro-ministro, assumiu o cargo em setembro. Em meio a gafes, escândalos e guinadas políticas, sua popularidade caiu rapidamente.

Os democratas também têm problemas, e em maio um dirigente renunciou devido a um escândalo relativo a doações eleitorais. Mais recentemente, seu atual líder admitiu que havia pessoas mortas na lista de seus doadores.

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