Premiê do Japão descarta antecipar eleição para Câmara Baixa

O impopular primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, disse na terça-feira que esta não é uma boa hora para convocar eleições antecipadas para a Câmara Baixa do Parlamento, o que pode semear confusão política num país às voltas com uma crise nuclear e a estagnação econômica.

YOKO KUBOTA, REUTERS

26 de julho de 2011 | 09h56

Kan, cuja aprovação popular caiu a 17,1 por cento na última pesquisa, disse a uma comissão parlamentar que a eleição dos deputados deve ficar para meados de 2013, quando também haverá eleição para o Senado.

"Falar de eleições antecipadas é contra o sentimento da opinião pública", disse Kan, acrescentando que a prioridade o país é se reerguer depois da tripla calamidade deste ano: um terremoto seguido de um tsunami e um acidente nuclear, em março.

Kan, criticado por sua atuação diante desses desastres, sobreviveu no mês passado a um voto de desconfiança, depois de prometer que irá renunciar, mas sem dizer exatamente quando.

Neste mês, ele listou a aprovação de três leis como condição para a sua renúncia: uma lei de financiamento do déficit público, um orçamento emergencial (o que ocorreu na segunda-feira), e uma medida que estimule o uso da energia renovável.

O Partido Democrático (governo) espera convencer a oposição a aprovar as duas leis restantes até meados de agosto, mas não está claro se Kan irá então renunciar.

Também há especulações de que ele poderia convocar eleições antecipadas, numa espécie de referendo sobre a sua proposta de eliminar o uso da energia nuclear no Japão.

"Acho que Kan gostaria de ficar como primeiro-ministro até depois da atual legislatura (que termina em 31 de agosto), mas as chances são próximas de zero, e se ele não sair de bom grado, acho que alguns membros importantes do gabinete irão se demitir e ele vai ser forçado a ir embora", disse Gerry Curtis, professor da Universidade Columbia.

Curtis também disse que antecipação da eleição é improvável, por causa da resistência interna do Partido Democrático, que tem hoje uma ampla maioria na Câmara, mas provavelmente veria sua bancada ser reduzida.

Segundo uma pesquisa feita pela agência de notícias Kyodo, mais de 70 por cento dos japoneses partilham da visão de Kan contra o uso da energia nuclear do país, embora tal medida possa gerar apagões e causar um aumento das tarifas.

As usinas nucleares respondiam por cerca de 30 por cento da matriz energética japonesa antes do acidente na usina de Fukushima. Agora, devido à preocupação do público com a segurança e de outros problemas, apenas 16 dos 54 reatores do país estão em operação.

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