Premiê do Japão diz que não deixa cargo

Seu partido, o PLD, sofreu a maior derrota eleitoral de sua história

AFP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2031 | 00h00

Tóquio - O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, prometeu ontem permanecer no cargo, apesar da esmagadora derrota de sua coalizão de governo nas eleições de domingo para a Câmara Alta do Parlamento (Senado). Tentando acalmar a tempestade provocada pelo resultado eleitoral, Abe se comprometeu a reestruturar seu impopular governo conservador, que tem menos de 30% de aprovação. Os eleitores repercutiram nas urnas seu ultraje com uma série de escândalos e gafes em seu gabinete e principalmente com a perda de informações de 50 milhões de requisitantes de aposentadoria. "É um mau resultado. Aceitamos o julgamento popular com seriedade e sinceridade", declarou o primeiro-ministro na primeira entrevista coletiva após as eleições. "No entanto, é minha responsabilidade levar adiante a missão de construir uma nova nação e fazer reformas", insistiu Abe, que assumiu o cargo há dez meses com uma popularidade de 60%. A coalizão de governo - formada pelo Partido Liberal Democrático, de Abe, e o Partido Novo Komeito - perdeu quase a metade das cadeiras que disputava e o controle do Senado, em um dos piores resultados da história da direita japonesa. É a primeira vez desde sua criação, em 1955, que o Partido Liberal Democrático não é o principal grupo político em uma das duas câmaras do Parlamento. Nas eleições de domingo, foram renovadas 121 das 242 cadeiras do Senado. A coalizão governista necessitava obter 64 cadeiras para manter a maioria. No entanto, o Partido Liberal Democrático conquistou apenas 37 assentos e o Novo Komeito, 9. O vencedor das eleições foi o Partido Democrático, que conseguiu eleger 60 senadores e agora deve pressionar o primeiro-ministro a dissolver a Câmara Baixa (Câmara dos Deputados) e convocar eleições dois anos antes do prazo. Vários jornais, como o Asahi, o Nikkei e o Mainichi, consideraram ontem praticamente impossível a permanência de Abe como chefe de governo e lhe pediram que renuncie ou convoque eleições antecipadas. Abe tem folgada maioria na Câmara Baixa, responsável pela eleição do primeiro-ministro.

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