Premiê do Japão reforma ministério e tenta conter iene

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, manteve aliados em postos-chave em uma reforma ministerial nesta sexta-feira, dando sinais de que pretende prosseguir com os esforços para conter uma enorme dívida pública, enquanto luta contra um iene forte e uma economia fraca.

CHISA FUJIOKA E YOKO KUBOTA, REUTERS

17 de setembro de 2010 | 14h11

Ele também nomeou um novo ministro das Relações Exteriores, o conservador e especialista em segurança Seiji Maehara, que vem enfrentando relações tensas com a China devido a uma disputa territorial.

Defensor do estreitamento das relações com os EUA, Maehara expressou preocupação com a escalada militar do governo da China em sua primeira entrevista coletiva como novo chanceler, ressaltando o crescente desconforto de Tóquio em relação às intenções de seu vizinho gigante.

"Quero que a China cumpra a sua responsabilidade em explicar" seus gastos militares, afirmou. Mas Maehara também sinalizou que a economia dinâmica da China foi vital para o próprio crescimento do Japão e disse que queria trabalhar para criar um relacionamento em que todos ganhem.

Kan manteve em seu governo o ministro das Finanças, Yoshihiko Noda, que no início desta semana supervisionou a primeira intervenção do Japão no mercado cambial em mais de seis anos. A ação visa conter a subida do iene e proteger a economia dependente de exportações do país.

"Nós realizamos uma intervenção contra o iene forte, pela primeira vez em seis anos e meio, e isso teve um certo efeito", afirmou Kan, em entrevista coletiva. "Não há mudança em nossa postura de tomar ações decisivas contra movimentos indesejáveis da moeda."

Noda havia dito anteriormente que o Japão está pronto para intervir novamente, caso seja necessário, mas acrescentou que o país precisa atuar para conquistar a compreensão global a respeito de suas ações, que geraram críticas de políticos estrangeiros e despertaram preocupações sobre as desvalorizações competitivas.

"Estou ciente destas várias opiniões. Mas a postura do Japão é a de que uma alta prolongada do iene é indesejável enquanto a economia continuar sofrendo a severa deflação que a atinge atualmente", disse ele a repórteres após ter sido indicado ao cargo novamente.

O Partido Democrático do Japão chegou ao poder há um ano, prometendo mudanças após mais de 50 anos de governos quase ininterruptos do Partido Liberal Democrático, mas tropeçou sob a liderança indecisa do predecessor de Kan, Yukio Hatoyama, que renunciou subitamente em junho.

Kan, que tomou posse em junho como o quinto primeiro-ministro do Japão em três anos, derrotou o rival Ichiro Ozawa em uma disputa pela liderança do partido, na terça-feira.

(Reportagem adicional de Kiyoshi Takenaka e Yoko Nishikawa)

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