Premiê do Paquistão critica EUA por acusação a serviço secreto

O Paquistão reagiu neste sábado às alegações dos Estados Unidos de que sua agência de espionagem apóia a rede militante Haqqani, que combate as tropas da coalizão liderada pelos norte-americanos no Afeganistão. O governo paquistanês descreveu as acusações como um sinal da "confusão americana e desordem da sua política".

JOHN CHALMERS, REUTERS

24 Setembro 2011 | 16h38

"Nós rejeitamos fortemente afirmações de cumplicidade com os Haqqanis ou de guerra por procuração", disse o primeiro-ministro, Yusuf Raza Gilani, quando discursava para diplomatas estrangeiros e agências beneficentes ao tratar da crise no setor de alimentos do país.

Gilani respondia a comentários feitos na quinta-feira pelo chefe do Estado-Maior conjunto das Forças Armadas dos EUA, almirante Mike Mullen, que está para deixar o cargo. Mullen afirmou que o serviço de inteligência do Paquistão, o ISI, tem conexões com grupos militantes responsáveis pelo ataque de 13 de setembro deste ano à embaixada dos EUA em Cabul, no Afeganistão.

"As alegações revelam uma confusão e desordem política dentro do sistema dos EUA sobre o caminho a seguir no Afeganistão", disse Gilani em seu discurso em um hotel de Islamabad que foi alvo de um atentado suicida em 2008, no qual morreram pelo menos 54 pessoas.

"A blitz de propaganda contra o Paquistão é na verdade muito infeliz. Vicia o ambiente e é contraproducente. Tende a ignorar os sacrifícios do povo do Paquistão e nega tudo o que nós nos esforçamos para alcançar nos últimos anos."

Embora as autoridades do Paquistão tenham deixado de dar apoio ao Taliban depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e se aliado ao governo norte-americano em sua "guerra ao terror", analistas dizem que membros do ISI se recusaram a mudar de doutrina.

Mullen descreveu asperamente a rede militante Haqqani, a facção mais violenta e eficaz no movimento islâmico Taliban no Afeganistão, como uma "arma genuína" do ISI e acusou o Paquistão de ter dado apoio para o ataque de Cabul.

Desde 2001 essa foi a mais grave acusação feita pelos EUA contra o Paquistão -- país que detém um arsenal nuclear -- e a primeira vez em que o governo paquistanês foi responsabilizado por um ataque contra os Estados Unidos.

Na sexta-feira, o ministério de Relações Exteriores do Paquistão afirmou que Washington se arriscava a perder um aliado se continuasse acusando o país de assumir um papel duplo na guerra contra os militantes, e que os comentários estavam ampliando uma crise desencadeada pela operação dos EUA que matou em maio o líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, em uma ação no território paquistanês sem aviso prévio.

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