REUTERS/Omar Sobhani/File Photo
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Premiê do Paquistão renuncia após ser inabilitado por caso de corrupção

Acusações contra Nawaz Sharif, derivadas do escândalo dos Panama Papers, vinculam sua família a empresas em paraísos fiscais

O Estado de S.Paulo

28 Julho 2017 | 11h54

ISLAMABAD - O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, renunciou nesta sexta-feira, 28, depois que o Tribunal Supremo de Justiça decidiu inabilitá-lo em razão de um caso de corrupção revelado em 2016 pelos chamados Panama Papers.

"Após o veredicto, Nawaz Sharif renunciou de suas responsabilidades como premiê", anunciou seu escritório em um comunicado. O premiê disse que estudará as opções legais contra a decisão.

A renúncia de Sharif provoca a dissolução imediata de todo o gabinete, e o Parlamento deverá escolher um novo governante.

Pouco antes da renúncia, o juiz Ejaz Afzal Khan havia anunciado: “Fica inabilitado como membro do Parlamento, motivo pelo qual deixa de ter o cargo de premiê".

O Supremo pediu ao departamento nacional anticorrupção que abra uma nova investigação sobre as acusações contra Sharif derivadas do escândalo dos Panama Papers, que vinculavam a família do premiê a empresas em paraísos fiscais.

Sharif não completou nenhum de seus três mandatos como chefe de governo. Em 1993, teve de renunciar, também por acusações de corrupção. Iniciado em 1997, seu segundo mandato se viu interrompido em 1999, após um golpe de Estado. Ele ficou vários anos exilado na Arábia Saudita.

Nenhum premiê paquistanês chegou a completar um mandato de cinco anos. A maioria teve sua gestão interrompida pelo poder militar ou pela Corte Suprema, e outros foram expulsos por seu próprio partido, forçados a renunciar ou assassinados.

Esta é a segunda vez na história do Paquistão que um primeiro-ministro ainda no cargo é destituído por intervenção do Supremo. A primeira vez foi em 2012, quando o Tribunal condenou o então premiê, Raza Gilani, por obstrução da Justiça ao se negar a reabrir uma investigação por corrupção contra Asif Zardari, que ocupava a presidência na época. / AFP e EFE

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