Premiê do Quênia pede intervenção no Zimbábue

O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, declarou que as tropas estrangeiras devem se preparar para intervir no Zimbábue diante do agravamento da crise humanitária que abala o país. Para ele, o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, deve ser investigado por crimes contra a humanidade.Odinga, em um último sinal da crescente frustração internacional sobre o caos que tomou conta do do Zimbábue com a epidemia de cólera, instou a União Africana (UA) a convocar uma reunião de emergência para autorizar o envio de tropas para o Zimbábue. "Se tropas não estiverem disponíveis, então a UA precisa permitir que a Organização das Nações Unidas (ONU) envie forças para o Zimbábue imediatamente, para assumir o controle do país e garantir assistência humanitária urgente para as pessoas que estão morrendo de cólera", afirmou.Oficialmente, mais de 500 pessoas morreram da doença desde o início da epidemia, em agosto, mas funcionários do setor de saúde temem que esse número seja bem superior. Eles alertam que as mortes podem chegar à casa dos milhares devido ao colapso do sistema de saúde do Zimbábue, a falta de alimentos e a aproximação da temporada de chuvas, o que pode ajudar a espalhar infecções.O líder do Quênia ainda alertou que "o caso de Mugabe merece não menos do que uma investigação do Tribunal Penal Internacional de Haia". Odinga atacou outros líderes africanos por sua demora em criticar o Zimbábue, dizendo que eles envergonharam o continente ao tratar Mugabe com "luvas de criança" porque Mugabe apoiou sua luta pela liberdade. "Nos recusamos a aceitar a idéia de que os países africanos devem ser julgados por padrões menos rígidos do que outros países do mundo", disse Odinga. "A participação na luta pela liberdade não dá licença a ninguém para ser dono de um país".Em seu pronunciamento, porém, Odinga não revelou se o Quênia está pronto para enviar tropas. A União Africana e a ONU já estão sobrecarregadas na África, onde enfrentam dificuldades para atender as demandas na região de Darfur (no Sudão) e na Somália.

AE-AP, Agencia Estado

07 de dezembro de 2008 | 20h12

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