Premiê e líder da oposição formam coalizão em Israel

Netanyahu evita eleição antecipada ao atrair para o governo o partido de Shaul Mofaz, formando uma supermaioria

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2012 | 03h02

O premiê de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, conseguiu formar ontem uma supermaioria na Knesset (Parlamento), evitando a convocação de eleições antecipadas. A mudança ocorreu após o maior partido do Legislativo, o centrista Kadima, liderado por Shaul Mofaz, abandonar a oposição e anunciar que integraria a base governista.

Sorridentes, Netanyahu e Mofaz apareceram juntos diante da imprensa de Israel para anunciar a parceria, na madrugada de segunda para terça-feira. Segundo um acordo de três páginas firmado pelos dois, o partido direitista Likud, de Bibi, continua a chefiar o governo. Mofaz, porém, passa a ser vice-primeiro-ministro, assumindo a cadeira de premiê na ausência de Netanyahu e participando de todas as reuniões de gabinete.

Netanyahu tornou-se o premiê com mais poder na Knesset em toda a história de Israel. Sua coalizão foi de 74 para 94 dos 120 deputados israelenses. A ampliação do apoio fará com que ele dependa menos de ultrarradicais religiosos e nacionalistas.

Os líderes do Likud e do Kadima qualificaram de "histórico" o acordo. "O Estado de Israel precisa de estabilidade", disse Netanyahu. "A nova coalizão é boa para a segurança, economia, sociedade e para o povo de Israel."

Mofaz - judeu iraniano, ex-chefe do Estado-Maior e ex-ministro da Defesa - disse que o novo governo conseguirá "enfrentar melhor os desafios de Israel", entre eles "um histórico compromisso territorial com nossos vizinhos palestinos". "Há momentos na vida do país em que ele é solicitado a tomar decisões importantes", disse Mofaz. "Acredito que chegou o momento de uma mudança abrangente no Estado de Israel."

A popularidade de Netanyahu está muito alta e, caso Israel passe por eleições antecipadas, sua permanência no cargo de premiê era praticamente certa. O partido de Mofaz vem perdendo força na opinião pública e, provavelmente, perderia parte de suas 28 cadeiras na Knesset em uma nova votação nacional.

Lei da Igualdade. O acordo de unidade surgiu após o Parlamento ter iniciado os procedimentos para se dissolver e convocar eleições - pelo calendário original, a próxima votação seria no ano que vem. A coalizão de Bibi foi abalada por uma lei que expira em 1.º de agosto, segundo a qual judeus ortodoxos são isentos do serviço militar obrigatório.

A Suprema Corte havia decidido que a legislação fere o princípio da igualdade e deveria ser revogada. No entanto, setores do governo de Netanyahu, sobretudo os religiosos, ameaçavam derrubar o governo caso ele acatasse a decisão.

Do outro lado, o chanceler Avigdor Lieberman, líder do partido ultranacionalista e secular Israel Beiteinu, indicava que abandonaria a aliança governista se a posição dos ortodoxos prevalecesse.

Em troca do apoio do Kadima, Netanyahu prometeu que seu partido, o Likud, apoiará o fim do privilégio dos religiosos. Esses grupos são numericamente pequenos na coalizão, mas até ontem detinham a chave para manter o governo de pé na Knesset. Com a adesão da maior legenda do Parlamento, o Kadima, eles perdem esse poder. / NYT

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