Patricia de Melo Moreira / AFP
Patricia de Melo Moreira / AFP

Premiê e seu bloco de esquerda são favoritos nas legislativas em Portugal

Depois de quatro anos à frente de um governo minoritário apoiado pela esquerda, Antonio Costa espera espera tirar proveito de seu desempenho econômico para conquistar maioria no Parlamento e governar sem parceiros

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2019 | 05h30

LISBOA - O primeiro-ministro socialista Antonio Costa é o favorito para as eleições legislativas de Portugal neste domingo, 6, nas quais espera tirar proveito de seu desempenho econômico depois de quatro anos à frente de um governo minoritário apoiado pela esquerda.

As últimas pesquisas apontam seu Partido Socialista (PS) com 37% das intenções de voto, à frente Partido Social Democrata (PSD, centro-direita), com 30%, embora a diferença tenha diminuído pela metade em três meses.

Assim, a vitória do primeiro-ministro pode ter uma margem muito estreita para lhe dar a maioria absoluta com a qual sonha para se livrar de seus parceiros.

"Uma maioria absoluta do Partido Socialista parece improvável", disse o cientista político Antonio Costa Pinto.

Uma das poucas histórias de sucesso da família socialista europeia, o PS português assumiu o poder em 2015, graças a uma aliança sem precedentes com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, depois de perder para uma coalizão de direita. 

Portugal, duramente afetado pela crise da dívida, recebeu um resgate de € 78 bilhões (2011-2014) de Bruxelas e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca de um plano drástico de austeridade, reformas e privatizações.

Sem os cortes implementados pela direita, Costa e seu ministro das Finanças, Mario Centeno, chefe do Eurogrupo desde o final de 2017, definiram como prioridade o restabelecimento do poder aquisitivo.

Austeridade passou

O país agora registra seu maior crescimento desde 2000 (3,5% em 2017 e 2,4% em 2018), enquanto o desemprego caiu para níveis pré-crise (6,4% em julho) e o déficit público será reduzido para 0,2% este ano. 

Dessa maneira, Costa conseguiu frustrar as previsões da oposição de direita, que previa todos os tipos de problemas para conciliar seus compromissos europeus e as promessas feitas a seus aliados. 

"Quatro anos depois, podemos dizer: todo mundo estava errado! Ainda estamos no euro e viramos a página da austeridade", disse ele na terça-feira em uma reunião em Aveiro, no norte do país.

"A legislatura que termina agora foi um sucesso do ponto de vista da estabilidade política, mas também graças a vários sucessos econômicos", apontou a analista Marina Costa Lobo.

Na opinião desta especialista, "a esquerda mostrou que pode governar no contexto da zona do euro, que é um orçamento muito exigente".

O principal opositor de Costa, o ex-prefeito de Porto Rui Rio (do PSD), liderou uma campanha extremamente dura contra um Partido Socialista que agora também pode se apresentar como garantidor da ortodoxia orçamentária, um slogan clássico da direita. 

À esquerda do PS entre os aliados de Costa, as pesquisas atribuem 10% das intenções de voto ao Bloco de Esquerda, de Catarina Martins, e 6% para a coalizão Comunistas e Verdes, liderada por Jerónimo de Sousa.

Esses dois blocos, com os quais Costa teve de realizar quatro anos de negociações difíceis antes da votação de cada orçamento, querem continuar sendo um contrapeso ao poder dos socialistas. 

Mas o primeiro-ministro pede votos em nome da "estabilidade" e cita como exemplo a problemática Espanha, forçada a realizar sua quarta eleição em quatro anos porque o socialista Pedro Sánchez não recebeu apoio suficiente para voltar ao poder. 

Rosto novo no cenário político português, o pequeno Partido das Pessoas, Animais e Natureza (PAN) poderia atingir 3% dos votos e também pesar na balança no novo parlamento.

Dependendo da magnitude de sua vitória, o primeiro-ministro Costa pode formar um novo governo minoritário com o apoio de um ou mais desses partidos. "Costa tem várias portas entreabertas", disse o cientista político Costa Lobo. / AFP

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