Premiê egípcio demite acusados de matar manifestantes

O primeiro-ministro do Egito, Essam Sharaf, disse hoje que ordenou a demissão de todos os policiais acusados de terem matado manifestantes durante a revolta que derrubou o ex-premiê do país Hosni Mubarak, como parte de uma série de medidas destinadas a apaziguar os manifestantes.

CLARISSA MANGUEIRA, Agência Estado

09 de julho de 2011 | 19h38

Sharaf afirmou, num comunicado transmitido na televisão estatal, que "emitiu ordens diretas ao ministro do Interior para demitir todos os policiais acusados pela morte de manifestantes".

As declarações de Sharaf foram transmitidas enquanto milhares de pessoas protestavam na praça Tahrir, no Cairo, para pressionar por uma mudança política, um dia depois de uma multidão ter ido às ruas do país para exigir justiça para as vítimas do regime de Mubarak.

Entre as principais exigências feitas pelos manifestantes ontem estava o fim dos julgamentos de civis por militares, a demissão e o julgamento de policiais acusados de matar manifestantes, e julgamentos rápidos e transparentes dos membros do antigo regime egípcio.

Sharaf prometeu atender à demanda dos manifestantes, realizando julgamentos rápidos dos membros do regime de Mubarak.

Ele afirmou que "ordenou a criação de um painel para revisar os julgamentos (dos acusados) de matarem protestantes e corrupção o mais rápido possível", sem esperar para fazer isso depois do recesso de verão da Justiça.

"O Ministério Público vai recorrer de todas as decisões que absolveram pessoas nesses casos", disse Sharaf. Ele afirmou que criará também "um mecanismo para dialogar com todas as forças políticas" do país.

Os manifestantes que foram às ruas para derrubar Mubarak dirigiram recentemente sua raiva ao Conselho Supremo das Forças Armadas que tomou o poder quando o ex-premiê foi deposto em fevereiro. O levante de 25 de janeiro deixou 846 mortos e mais de 6 mil feridos. As informações são da Dow Jones.

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