AFP PHOTO / JAVIER SORIANO
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Premiê espanhol enfrenta crise após repressão a plebiscito catalão

. Embora já desfrute de grande autonomia, seus impostos catalães são cruciais para o orçamento central da Espanha

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 12h27

 MADRI - O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, está enfrentando a maior crise constitucional do país em décadas após o plebiscito de independência realizado na Catalunha em meio a cenas de violência no domingo, que abriu as portas para a região mais rica da Espanha decretar uma separação possivelmente ainda nesta semana.

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As ruas de Barcelona, a capital catalã, estavam tranquilas nesta segunda-feira, mas os editoriais dos jornais disseram que o plebiscito, no qual as autoridades regionais afirmaram que 90% dos eleitores escolheram a secessão da Espanha, preparou o terreno para um confronto decisivo entre Madri e a região.

“Tudo poderia piorar”, disse o jornal catalão moderado La Vanguardia em seu editorial depois de a polícia espanhola ter usado cassetetes e balas de borracha para tentar impedir a votação, que o governo de Madri declarou ilegal. As autoridades da Catalunha disseram que 893 pessoas ficaram feridas.

“Estamos entrando em uma fase de greves e protestos de rua... e com mais movimento, (há) mais repressão”.

 

A Catalunha é um centro industrial e turístico que representa um quinto da economia espanhola, uma base de produção para grandes multinacionais como Volkswagen e Nestlé e sede do porto marítimo que mais cresce na Europa. Embora já desfrute de grande autonomia, seus impostos são cruciais para o orçamento central da Espanha.

O líder regional da Catalunha, Carles Puigdemont, declarou no domingo que os eleitores conquistaram o direito à independência e que apresentará os resultados ao Parlamento da região, que tem poder para solicitar uma moção de independência.

O referendo não tem validade legal, já que foi proibido pelo governo de Madri e pelo Tribunal Constitucional por violar a Constituição de 1978, que afirma que o país não pode ser dividido, e há pouco sinal de apoio à separação catalã em qualquer outra parte da Espanha.

Puigdemont convocou uma reunião de emergência do governo regional catalão. Em Madri, Rajoy planeja coordenar os próximos passos em uma reunião com Pedro Sánchez, líder do opositor Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

O euro perdeu força ante o dólar após a votação, embora mais tarde tenha recuperado terreno. Às 8h locais, o índice do mercado espanhola IBEX  estava em baixa de 0.6%, recuo menor do que as perdas do início do pregão, e entre os mais afetados estavam os bancos catalães Sabadell  e Caixabank . / REUTERS

 

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