Premiê espanhol nega existência de caixa 2 em seu partido

Mariano Rajoy é suspeito de receber 343 mil ilegalmente de sua legenda, segundo suposta contabilidade ilegal

MADRI, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2013 | 02h10

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, atendeu ontem à convocação do Parlamento do país para se explicar a respeito da denúncia de que foi beneficiado por um esquema de financiamento ilegal de políticos de sua legenda, o conservador Partido Popular (PP). O premiê negou a existência do caixa 2 e disse que Luis Bárcenas, ex-tesoureiro do PP e pivô do escândalo, o "enganou".

"Não vou renunciar nem vou convocar eleições legislativas, que fique muito claro", disse Rajoy, ao fim das quase seis horas de debate na Câmara dos Deputados, em que vários grupos de oposição exigiam que ele deixasse o cargo, fazendo coro com o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que pede a renúncia do premiê desde a imprensa espanhola revelou que ele enviou mensagens de apoio a Bárcenas após a publicação de manuscritos da suposta contabilidade ilegal, em janeiro.

"Eu confiei no senhor Bárcenas. Respondi suas mensagens e falei com ele", admitiu Rajoy. "Equivoquei-me em manter confiança em alguém que não a merecia. Ele me enganou", disse o premiê.

De acordo com cálculos do jornal espanhol El Mundo, que revelou as mensagens de texto trocadas entre o primeiro-ministro e o ex-tesoureiro, Rajoy recebeu 343,7 mil em benefícios não declarados pelo PP durante os 20 anos em que Bárcenas trabalhou para a legenda. "No Partido Popular não foi feita nenhuma contabilidade secundária nem se oculta nenhum delito. Foram pagos salários? Sim. Foram pagas remunerações complementares em razão do cargo? Sim", disse Rajoy, afirmando que a legenda pagou por serviços e esses pagamentos "foram incluídos na contabilidade oficial".

"O senhor está prejudicando a Espanha. Por isso, peço ao senhor que se vá. Peço-lhe um ato de solidariedade para um país que não pode sofrer por ter à frente um presidente (de governo, como os espanhóis se referem ao premiê) como o senhor", disse o socialista Alfredo Pérez Rubalcaba.

"Não vou me declarar culpado porque não sou. Não vou me declarar culpado porque, ainda que não seja um conjunto de virtudes como o senhor Rubalcaba, sou uma pessoa honrada", disse Rajoy.

Lavagem de dinheiro. Bárcenas atuou como gerente e tesoureiro do PP entre 1990 e 2009 e foi preso no fim de junho, após ter sido acusado de fraude fiscal e de lavagem de dinheiro. A Justiça espanhola descobriu quase 48 milhões atribuídos a ele em contas na Suíça. / REUTERS e AFP

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