EFE/Javier López
EFE/Javier López

Premiê espanhol nomeia catalães para presidir Congresso e Senado

Parlamentares são do Partido Socialista (PSOE), do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, que tenta conseguir a simpatia dos independentistas da Catalunha para ter maioria no Parlamento

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2019 | 12h13

Em mais uma demonstração de que tenta se aproximar dos políticos da Catalunha, o primeiro-ministro da EspanhaPedro Sánchez, do Partido Socialista (PSOE), escolheu dois catalães para presidir o Congresso e o Senado. Sánchez confirmou a indicação nesta sexta-feira, 17, mais de duas semanas após a vitória na eleição legislativa espanhola.

Os indicados serão Meritxell Batet, atual ministro de Assuntos Agrários, e o filósofo Manuel Cruz. Eles se tornarão a terceira e a quarta autoridades no país. É a primeira vez na história da Espanha que dois catalães vão ocupar os cargos.

Sánchez quer políticos catalães que “defendam o diálogo e a construção de uma alternativa” para a situação na Catalunha, afirmou líder do PSOE depois de ser eleito, em abril. Tanto Meritxell Batet, o candidato de Sánchez a presidente da câmara baixa, como o senador Manuel Cruz pertencem à ala catalã dos socialistas. Como tal, favorecem a união continuada com a Espanha, mas também o diálogo aberto com o campo pró-independência da região.

Na quinta-feira, 16, os partidos independentistas da Catalunha vetaram o nome de Miquel Iceta, dirigente do PSOE na Catalunha, para presidir o Senado. Iceta deveria ser nomeado senador. Como não foi candidato nas eleições legislativas de 28 de abril, era preciso que o parlamento regional da Catalunha aprovasse sua indicação. O Senado espanhol tem 266 membros, dos quais 204 se elegeram no pleito parlamentar de abril e os 58 restantes são designados para representar as diferentes regiões, por isso são escolhidos nos parlamentos autônomos.

Ao contrário de Iceta, Batet e Cruz já são eleitos legisladores e não precisam do apoio do parlamento catalão. Os socialistas têm uma maioria no senado, o que significa que Cruz certamente liderará a câmara. A indicação de Batet exigirá apoio de outras partes.

A câmara regional catalã rejeitou o nome de Iceta, e forçou Sánchez a escolher outro candidato. Os votos contrários vieram dos três partidos independentistas representados: JxCat, ERC e CUP. Após a votação, Iceta criticou o "sectarismo" dos independentistas e anunciou que apresentará um recurso no Tribunal Constitucional. O dirigente explicou que seu objetivo na câmara alta era "conseguir consensos, impulsionar uma reforma do Senado e buscar soluções dialogadas dentro da lei", conforme explicou em entrevista coletiva.

Os partidos independentistas justificaram sua rejeição em tornar Iceta senador porque o dirigente socialista apoiou em 2017 a intervenção do governo central de Madrid, que na época era comandado pelo conservador PP, na região autônoma da Catalunha como consequência da tentativa separatista de setembro e outubro daquele ano.

A crise desencadeada quando a Catalunha declarou a independência em 2017 foi uma questão central nas eleições nacionais do mês passado, e suas ambições separatistas estão provando ser uma dor de cabeça política para Sánchez, já que sua minoria socialista busca formar um governo.

O veto ameaçava a política de diálogo pretendida pelo presidente do governo interino espanhol, Pedro Sánchez. A nomeação dos dois parlamentares como principais elos no processo legislativo nacional demonstra "compromisso com o diálogo, a coexistência e a coesão entre todos os espanhóis", disse a porta-voz do governo interino Isabel Celaa a repórteres.

Mas, em um sinal que a divisão no debate sobre a Catalunha ameaça rachaduras no governo. "Não achamos que colocar catalães nessas posições conserte qualquer coisa. É uma operação cosmética", disse Sergi Cabrera, porta-voz do partido separatista catalão ERC no parlamento da região. O que seu partido queria era uma estrutura permanente para o diálogo entre Madri e Barcelona sobre questões catalãs.

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