CHARLY TRIBALLEAU/AFP
CHARLY TRIBALLEAU/AFP

Premiê francês admite que Justiça errou ao soltar autor de atentado

Mas Valls diz que não se pode prender indivíduos tendo a suspeita como única base legal, como em Guantánamo

O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2016 | 23h00

PARIS - O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, reconheceu ontem que a decisão judicial de libertar um dos dois autores do atentado contra uma igreja na França e de submetê-lo à vigilância eletrônica foi um erro, mas rejeitou que sua luta contra o terrorismo chegue a criar um Guantánamo “à francesa”.

“Foi um erro, é preciso reconhecer (...) Mas não vai ser eu quem, desprezando todo equilíbrio de poderes, vai cair na via fácil de culpar os juízes desse ato terrorista. Cada decisão é de uma grande complexidade”, afirmou em uma longa entrevista ao jornal Le Monde.

O reconhecimento desse erro foi feito em relação a Adel Kermiche, morto pela polícia na terça-feira com Abel Malik Petitjean, após ter assassinado um padre em uma igreja de Saint-Étienne du Rouvray (noroeste).

Valls disse estar aberto a toda proposta de melhora em matéria antiterrorista, sempre e quando não limite o estado de direito: “Prender indivíduos em centros com a suspeita como única base é moral e juridicamente inaceitável. Por outro lado, não seria eficaz. Meu governo não acredita em um Guantánamo à francesa”, concluiu.

Um homem de 19 anos foi indiciado ontem por um juiz antiterrorismo de Paris e em seguida preso por sua suposta ligação com um dos dois jihadistas que degolaram o sacerdote na Normandia.

Segundo a Procuradoria de Paris, o indivíduo, cuja identidade não foi revelada, foi acusado de terrorismo com intenção de preparar atentados em razão de um vídeo no qual aparecia o terrorista Petitjean e que foi encontrado em seu domicílio em uma operação policial na segunda-feira, ou seja um dia antes do ataque da igreja.

No vídeo, Petitjean – um dos dois terroristas que mataram o padre Jacques Hamel – informava da preparação de uma ação violenta, segundo a procuradoria. Os serviços secretos franceses começaram a investigar o vídeo, mas isso não permitiu deter Petitjean a tempo, que acabou abatido pela polícia na frente da igreja com Kermiche.

A França tinha recebido no final de junho uma informação das autoridades turcas segundo a qual Petitjean – nesse momento não se tinha associado seu rosto a seu nome –, provavelmente pretendia viajar à Síria para unir-se a grupos jihadistas.

Mas o jovem de 19 anos voltou à França sem levantar suspeitas. Ao contrário de um companheiro de viagem, identificado como Jean-Louis S., que era alvo de vigilância dos serviços secretos, e com quem foi encontrada na semana passada uma mensagem na qual se falava da preparação de um atentado associada a uma fotografia de Petitjean. / EFE

 

Tudo o que sabemos sobre:
FrançaManuel VallsSíria

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.