REUTERS/Eric Feferberg/Pool
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Premiê francês garante que país está pronto para receber turistas e torcedores na Eurocopa

Para Manuel Valls, alerta de viagem emitido pelos EUA desaconselhando americanos a irem à Europa ‘não tem fundamento’

O Estado de S. Paulo

02 Junho 2016 | 09h33

PARIS - A França estará pronta para que os torcedores cheguem "de carro, avião e trem" para assistir à Eurocopa, que começa no dia 10, apesar do clima de agitação social no país e das ameaças do terrorismo, disse nesta quinta-feira, 2, o primeiro-ministro, Manuel Valls.

Em uma entrevista para vários veículos de imprensa internacionais, o chefe do governo francês enviou uma mensagem de tranquilidade às milhares de pessoas que devem comparecer ao evento esportivo ou simplesmente fazer turismo na temporada do verão europeu.

"Você junta a ameaça terrorista com as greves, as pessoas leem os jornais e falam 'isto é o caos, já não se pode ir à França, não se pode circular, não se pode viajar'", ironizou o premiê, antes de enfatizar que quer mostrar que "um país ameaçado pelo terrorismo e com um conflito social é capaz de superar tais provas".

Por isso, Valls considerou que "não tem nenhum fundamento" o alerta de viagem emitido pelos Estados Unidos que desaconselha os americanos a comparecerem a grandes eventos na Europa, especialmente na França.

"A mensagem é clara: você pode vir à França de carro, de avião e espero que de trem. Não quero mentir, pois ainda não fechamos acordo na SNCF (companhia estatal ferroviária), mas não cederei na reforma trabalhista porque existe uma ameaça de greve nos trens", disse o primeiro-ministro.

A pressão por parte do sindicato CGT, contrário à reforma do código trabalhista que atualmente tramita no Parlamento francês, levou diferentes setores a convocarem interrupções, especialmente nos transportes, além de contínuas manifestações.

O primeiro-ministro garantiu que os pilotos da Air France se comprometeram a não fazer greve durante o torneio. "Se houvesse, eu seria intransigente e acredito que a opinião pública também não aceitaria (uma greve) em um período tão importante", afirmou Valls, que, além disso, destacou que os problemas com o abastecimento de gasolina quase desapareceram.

"Menos de 4% dos postos de gasolina estão fechados, de um total de quase 12 mil. O problema não foi de fornecimento, mas os franceses consumiram entre 200% e 300% mais gasolina no fim de semana passado" por medo de faltar combustível, explicou.

Em relação ao perigo que representa o terrorismo do Estado Islâmico, o primeiro-ministro lembrou que seu país organizou com sucesso a Cúpula do Clima (COP21) em dezembro, apenas algumas semanas depois do massacre em Paris e arredores, no qual morreram 130 pessoas.

Valls informou que haverá cerca de 100 mil indivíduos fazendo a segurança dos visitantes, dos quais 77 mil são policiais, 12 mil são agentes de segurança privados e outros 10 mil são militares que fazem parte da operação Sentinel.

O premiê reconheceu que esse "acúmulo de missões" para as forças de segurança representa uma preocupação para ele e para seu ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. "São 51 jogos em 10 estádios, cuja segurança está garantida. Há locais para torcedores que estão monitorados como os estádios. Também há o Tour de France".

Ele ainda explicou que “nunca se pode dizer nunca, mas se houvesse uma ameaça precisa, o ministro do Interior tem todos os meios para tomar as decisões necessárias".

Segundo Valls, "é muito importante (para a França), em um período de ameaça, dizer que a vida continua, que não se repensa nem o esporte nem os eventos culturais".

Uma prova disso será a presença de vários líderes europeus que já confirmaram que assistirão aos jogos do torneio, assim como o próprio Valls e o presidente francês François Hollande. /EFE

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