Premiê francês promete projeto de lei antiterrorismo

O primeiro-ministro da França, François Fillon, rechaçou nesta sexta-feira as acusações de que as autoridades antiterrorismo fracassaram no monitoramento do islamita radical que matou crianças, paraquedistas militares e um rabino, no sul do país.

AE, Agência Estado

23 Março 2012 | 10h27

Investigadores interrogam o irmão de Mohamed Merah enquanto investigam se ele atuou com cúmplices em suas ações que resultaram na morte de sete pessoas. Merah, que disse pertencer à Al-Qaeda e chegou a cumprir pela, morreu na quinta-feira durante um tiroteio com a polícia, após 32 horas de cerco do lado de fora do apartamento onde estava, na cidade francesa de Toulouse. Merah era francês, de origem argelina, e tinha 23 anos.

A inteligência francesa tinha ciência das viagens de Merah para o Afeganistão e para Waziristão, reduto militante paquistanês, nos últimos anos, além do fato de ele estar numa lista dos Estados Unidos de passageiros que não podiam embarcar em seus voos desde 2010.

Alguns políticos, a mídia francesa e moradores de Toulouse querem saber a razão pela qual as autoridades não o detiveram antes de 11 de março, quando ele cometeu o primeiro dos três ataques. Até mesmo o ministro de Relações Exteriores da França, Alain Juppé, disse que havia necessidade de "esclarecimento" sobre o fato de ele não ter sido preso antes.

O jornal Liberation listou sete perguntas sobre o caso na primeira página da edição desta sexta-feira, entre elas "por que Merah não foi alvo de maior monitoração?"

O chanceler francês Francois Fillon declarou à rádio RTL nesta sexta-feira que as autoridades "em nenhum momento" suspeitaram que Merah poderia se perigoso, apesar de sua longa ficha criminal.

"O fato de pertencer a uma organização salafita (de muçulmanos ultraconservadores) não é um crime por si só. Não devemos misturar fundamentalismo religioso e terrorismo, mesmo quando naturalmente sabemos que há ligações entre os dois", declarou Fillon.

As três crianças judias, o rabino e três paraquedistas militares foram vítimas dos piores ataques de terroristas muçulmanos desde a onda de ataques na década de 1990 realizada por extremistas argelinos.

Em resposta aos assassinatos, Fillon afirmou que o governo conservador do presidente Nicolas Sarkozy trabalha numa nova lei antiterrorismo que será apresentada no prazo de duas semanas. As informações são da Associated Press.

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